Dominic Lipinski / PA via AP
Dominic Lipinski / PA via AP

Ataque na Ponte de Londres: homem que esfaqueou e matou dois já tinha condenação por terrorismo

Ele usava falso colete explosivo e foi morto pela polícia; Usman Khan, de 28 anos, foi condenado em 2012 e estava solto desde 2018

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2019 | 11h38
Atualizado 29 de novembro de 2019 | 23h12

LONDRES - Duas pessoas foram mortas e várias ficaram feridas por um esfaqueador na Ponte de Londres antes de ele ser contido pelos que passavam no local e, depois, morto pela polícia. O episódio que ocorreu no centro da capital britânica nesta sexta-feira, 29, está sendo tratado pelas autoridades do Reino Unido como um ataque terrorista. 

O agressor foi identificado como Usman Khan, 28 anos, que cumpriu pena por terrorismo, segundo o chefe da unidade antiterrorista britânica, Neil Basu. "Este indivíduo era conhecido pelas autoridades, foi condenado por crimes terroristas em 2012. Foi solto e estava em liberdade condicional desde dezembro de 2018", disse Basu, acrescentando que a polícia revista um local no condado de Staffordshire, no centro da Inglaterra.

A polícia foi alertada a respeito de um esfaqueamento pouco antes das 14h (horário local) em um local próximo da ponte, cenário de um ataque mortal de militantes islâmicos dois anos atrás.

Meia dúzia de pessoas que passavam pelo local derrubou o suspeito no chão e agarrou sua faca. Um vídeo publicado no Twitter mostra policiais afastando um homem do suspeito à força e em seguida outro policial fazendo mira cuidadosamente. Ouvem-se dois tiros e o suspeito para de se mexer.

“Um suspeito do sexo masculino foi baleado por agentes armados especializados da polícia da cidade de Londres, e posso confirmar que este suspeito morreu no local”, disse Neil Basu, principal autoridade de contraterrorismo do Reino Unido, aos repórteres. 

As autoridades também informaram que o suspeito carregava um falso dispositivo explosivo.  O prefeito de Londres, Sadiq Qhan, disse que entre os feridos no ataque havia pessoas em estado grave. 

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, no meio da campanha eleitoral, voltou a Downing Street e foi inteirado do incidente.  Ele convocou uma reunião de gabinete de crise na noite desta sexta.

O premiê deve receber líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), incluindo o presidente americano, Donald Trump, na semana que vem. A cúpula será realizada nos dias 3 e 4 de dezembro. O Reino Unido vai às urnas em 12 de dezembro para eleger um novo Parlamento. 

“Este é um incidente horrível, e todos meus pensamentos estão com as vítimas e suas famílias”, disse Johnson em um comunicado. “Quero agradecer os serviços de emergência e os membros do público por sua bravura imensa.”

Ato de heroísmo

Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista e seu principal oponente, disse que estava chocado com o incidente e que seus pensamentos estavam com os que foram envolvidos nele.

Para o prefeito de Londres, londrinos comuns demonstraram um “heroísmo arrebatador” ao desarmar o agressor munido de faca.

“O que é notável nas imagens que vimos é o heroísmo arrebatador das pessoas que literalmente correram na direção do perigo sem saber o que enfrentariam”, disse Khan aos repórteres, lembrando que o homem vestia um colete de explosivos falsos.

“Essas pessoas não perceberam na ocasião que se tratava de um artefato falso, e realmente são os melhores entre nós”, acrescentou Khan.

Em um dos vídeos postados nas redes sociais, é possível ver um grupo de pessoas sobre um homem, que se espalha logo depois. Uma dessas pessoas se afasta com uma faca, possivelmente retirada do suspeito.  Não houve tiroteio no local, apesar de rumores divulgados inicialmente em redes sociais. 


 


A Ponte de Londres foi cenário de um atentado em junho de 2017, quando três militantes atropelaram pedestres e depois atacaram outros em uma área próxima, matando oito pessoas.

Ataque em 2017

A Ponte de Londres é uma das que passam sobre o Rio Tâmisa, a uma curta distância da conhecida Ponte da Torre de Londres, um dos pontos turísticos da capital britânica.

Em junho de 2017, uma van atropelou pessoas que passavam por ela. Em seguida, os três atacantes a bordo do veículo saltaram para esfaquear pessoas que passeavam pelo vizinho Borough Market. O saldo foi de 8 mortos e cerca de 50 feridos.

O grupo jihadista Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pelo ataque, um dos vários ataques jihadistas no Reino Unido naquele ano

Em março de 2017, outro ataque ocorreu na Ponte de Westminster, ao lado do Parlamento. Um homem avançou com seu carro contra pedestres, alguns dos quais saltaram na água. Esse incidente deixou cinco mortos, incluindo um policial que ele esfaqueou antes que outros policiais atirassem nele e o matassem no local. / REUTERS, AFP  e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.