Pyeongyang Press Corps / Reuters
Pyeongyang Press Corps / Reuters

Presidente sul-coreano chega a Pyongyang para terceira cúpula com Kim Jong-un

Líderes tentam reiniciar as negociações de desnuclearização entre a Coreia do Norte e os EUA

O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2018 | 02h04
Atualizado 18 Setembro 2018 | 08h49

SEUL - O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, chegou a Pyongyang nesta terça-feira, 18, para sua terceira cúpula com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, enquanto tenta reiniciar as negociações de desnuclearização entre a Coreia do Norte e os EUA

Kim recebeu pessoalmente o seu convidado no Aeroporto Internacional de Pyongyang, onde os dois dirigentes se abraçaram após Moon descer as escadas do avião, cercados por milhares de norte-coreanos. Eles acenaram com buquês de flores artificiais, com a bandeira norte-coreana e também com uma bandeira branca e azul com um mapa que simboliza a península unificada.

Moon, cujos pais fugiram do Norte durante a Guerra da Coreia, passará três dias na Coreia do Norte, seguindo assim os passos de seus antecessores Kim Dae-jung, que viajou a Pyongyang em 2000, e Roh Moo-hyun, seu mentor e que visitou o vizinho em 2007. 

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O presidente viajou à capital norte-coreana acompanhado de dirigentes de várias companhias, incluindo o herdeiro da Samsung, Lee Jae-yong, visando reforçar a cooperação econômica entre as duas Coreias. Lee Jae-yong é o vice-presidente da Samsung Electronics e figura-chave do grupo, cujo faturamento representa um quinto do PIB da Coreia do Sul.

Os executivos da SK e da LG também integram a delegação oficial de Moon, assim como Kim Yong-hwan, vice-presidente da Hyundai Motor Group, grupo cujo fundador era um refugiado do Norte. A delegação sul-coreana tem cerca de 200 membros, incluindo o chefe da inteligência sul-coreana, os ministros das Relações Exteriores e da Defesa, empresários e personalidades da cultura, religião e até atletas.

Moon, que foi eleito em 2017 defendendo a retomada do diálogo com o Norte depois de anos de crescente tensão em razão do programa nuclear de seu vizinho, trabalha para a retomada dos projetos de cooperação intercoreanos, apesar das sanções econômicas internacionais.

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A visita desta terça é mais um sinal do atual degelo na península, que já permitiu uma primeira cúpula intercoreana no fim de abril, na localidade de Panmunjom, situada na Zona Desmilitarizada que separa as duas Coreias. O presidente sul-coreano, que voltou a se reunir com Kim em maio, teve um papel-chave na realização da cúpula histórica entre o líder norte-coreano e o presidente americano, Donald Trump, no dia 12 de junho em Cingapura. 

Na ocasião, Kim se comprometeu a obter "a desnuclearização da península", uma meta confusa que permite todo tipo de interpretação. De fato, Washington e Pyongyang ainda tentam chegar a um acordo sobre o significado exato deste compromisso. 

Moon e Kim, que mostraram uma boa relação pessoal durante seus encontros anteriores, se reunirão ao menos duas vezes em Pyongyang. O presidente sul-coreano tentará convencer as autoridades do Norte a adotar medidas significativas para o desarmamento. / AFP e AP

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