Bloomberg photo by Zach Gibson
Bloomberg photo by Zach Gibson

Primeiro-ministro do Líbano suspende renúncia à espera de consultas

Decisão deve reduzir a tensão no país, que foi pego de surpresa com o anúncio da renúncia de Hariri na Arábia Saudita

O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2017 | 11h40

BEIRUTE - Depois de retornar ao Líbano, o primeiro-ministro Saad Hariri suspendeu nesta quarta-feira,22, sua renúncia a pedido do presidente Michel Aoun, que consultará os partidos sobre a crise provocada pelo anúncio. A decisão deve reduzir a tensão no país, que foi pego de surpresa com o anúncio da renúncia de Hariri em 4 de novembro em Riad, na Arábia Saudita, onde sua estadia provocou muitas especulações.

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Após uma reunião com o presidente Aoun, Hariri discursou na TV e pediu um "diálogo" entra as forças políticas do país, muito dividido. "Discuti minha demissão com o presidente da República, que me pediu para esperar antes de apresentá-la para permitir outras consultas. Aceitei esse pedido", declarou Hariri.

O constitucionalista Edmond Rizk, consultado pela AFP, afirmou que enquanto o presidente não aceitar (a renúncia) não é válida constitucionalmente falando.

O anúncio de Hariri, que é sunita,  em uma emissora de televisão saudita, provocou uma onda de especulações ainda sem respostas sobre sua misteriosa estadia no país, onde alguns acreditam que foi forçado a permanecer. O espectro político libanês é dividido entre sunitas, xiitas e cristãos maronitas. 

Nesta quarta-feira, o premiê pediu o afastamento do Líbano dos conflitos no Oriente Médio, em respeito à "política de distanciamento", uma referência às intervenções do movimento Hezbollah, membro de seu governo, nas guerras da região, principalmente na Síria.

"Aspiro hoje uma verdadeira associação de todas as forças políticas com o objetivo de colocar os interesses do Líbano acima de  todos os demais", completou o primeiro-ministro.

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"Estamos abertos a qualquer diálogo, qualquer discussão no país", afirmou na segunda-feira o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, em um tom aparentemente conciliador.

Hariri, um protegido da Arábia Saudita, justificou sua renúncia pelo "controle" do Irã e do movimento xiita Hezbollah, membro de seu governo, sobre os assuntos do Líbano e a "interferência" nos conflitos da região. Também afirmou que temia por sua vida.

Hariri também apareceu nesta quarta-feira em Beirute ao lado do presidente Aoun e do presidente do Parlamento, Nabih Berri, para acompanhar um desfile militar da Festa da Independência. Durante a crise, Aoun acusou o governo saudita de ter "sequestrado" Hariri, o que foi negado pelo premier.

O partido de Hariri, Corrente do Futuro, convocou uma manifestação de apoio. O anúncio da renúncia foi interpretado como um confronto indireto no território libanês entre os dois grandes rivais da região, Arábia Saudita, sunita, que apoia Hariri, e Irã, xiita, que apoia o Hezbollah.

O Hezbollah, um peso pesado da política libanesa, é o único movimento que não abandonou as armas após a guerra civil (1975-1990). / AFP

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