EFE/EPA/ALEXEY NIKOLSKY / SPUTNIK / KREMLIN POOL
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Putin promete 'resposta' a teste nuclear dos EUA e lança base nuclear flutuante no Ártico

Afirmação coincide com a mesma data em que base nuclear inicia viagem de 5 mil km para alimentar plataformas petrolíferas próximas ao Alasca

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2019 | 16h41

MOSCOU - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, prometeu uma "resposta simétrica" nesta sexta-feira, 23, ao recente teste dos Estados Unidos de um míssil de alcance médio, o primeiro executado pelo país desde a Guerra Fria.

"Ordeno aos Ministérios russos da Defesa e das Relações Exteriores que examinem o nível da ameaça para nosso país pelos atos dos Estados Unidos, e que sejam adotadas medidas exaustivas para preparar uma resposta simétrica", declarou Putin, em uma reunião do Conselho de Segurança.

Executado no domingo perto da ilha de San Nicolas, na costa da Califórnia, o teste confirmou o fim do tratado de desarmamento INF (Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário), que proibia o uso por parte da Rússia e dos EUA de mísseis terrestres com alcance de 500 a 5.500 quilômetros.

Com o fim do tratado INF, apenas um acordo nuclear bilateral entre Moscou e Washington continua em vigor: o tratado START (Tratado de Redução de Armas Estratégicas), que mantém os arsenais nucleares dos dois países bem abaixo dos níveis da Guerra Fria. Este tratado expira em 2021.

O INF foi oficialmente suspenso há menos de um mês pelas duas potências rivais, que trocaram acusações de violação do pacto.

Na quinta-feira, um embaixador russo na ONU denunciou que os EUA "estão prontos para uma corrida armamentista"

Rússia e China condenaram de forma imediata o teste americano, denunciando o risco de uma "escalada das tensões militares" e de uma retomada da corrida armamentista.

"Está claro que (o teste de mísseis dos EUA) não foi resultado de improvisação, mas mais um elo em uma cadeia de eventos planejada há muito tempo", disse Putin.

A ofensiva da Rússia foi dada no mesmo dia em que o país lançou no Ártico a primeira base nuclear flutuante do mundo, que viajará 5 mil km, se estabelecendo próxima aos EUA.

Destinada a alimentar o desenvolvimento da produção de hidrocarbonetos em regiões isoladas, a “Akademik Lomonosov” saiu abastecida de combustível nuclear da cidade de Múrmansk, no extremo oriente russo, no mar de Barents, com destino a Pevek, pequena cidade da Sibéria oriental próxima ao Alasca.

A trajetória da base nuclear flutuante

A viagem deve durar entre quatro e seis semanas, dependendo do clima e da qualidade do gelo no caminho.

Sem motor próprio, a base de 21 mil toneladas será rebocada para a viagem. A central comporta dois reatores de capacidade de 35 megawatts cada um, similares aos de quebra-gelos nucleares.

A Akademik Lomonosov será conectada em Pevek à rede elétrica local e deverá entrar em funcionamento no fim do ano.

Apesar da população da cidade não ser maior que 5 mil habitantes, a central cobre o consumo de 100 mil pessoas e servirá para alimentar as plataformas petrolíferas instaladas na região, onde a Rússia quer desenvolver sua produção de hidrocarbonetos.

A base, cuja construção começou em 2006 em São Petersburgo, antes de ser levada a Múrsmansk no ano passado, substituirá uma central nuclear e uma usina de carbono obsoletas.

As organizações ambientais denunciam o projeto há anos e advertem dos perigos de uma base nuclear em uma região de clima instável como o Ártico, num momento em que uma explosão em agosto em uma base de testes de mísseis russa fez aumentar brevemente a radioatividade na região.

De acordo com a multinacional nuclear russa Rosatom, a solução é mais simples do que a de uma construção clássica em um solo congelado durante todo o ano. A empresa pretende vender sua central flutuante a outros países. / AFP

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