EFE/EPA/PHILIPP GUELLAND
EFE/EPA/PHILIPP GUELLAND

Reino Unido, Itália e Alemanha confirmam casos da nova variante Ômicron; Europa amplia restrições

Holanda e República Checa investigam casos suspeitos; governos ficam em estado de alerta com chegada de variante do novo coronavírus em passageiros procedentes da África

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2021 | 16h45
Atualizado 28 de novembro de 2021 | 00h57

LONDRES - A nova variante Ômicron do novo coronavírus vem desafiando as políticas na Europa e deixando governos como Reino Unido, Alemanha, Holanda e Itália em estado de alerta. 

Neste sábado, 27, o Reino Unido e a Alemanha informaram ter detectado, em cada país, dois casos de infecção pela nova variante em pessoas relacionadas com viagens para a África do Sul. A Itália confirmou um caso da nova variante em um pessoa procedente de Moçambique. 

Enquanto isso, a Holanda investiga casos suspeitos e governos europeus impõem novas restrições aos viajantes que chegam da África.

"A Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UKHSA) confirmou que foram identificados dois casos de covid-19 com mutações compatíveis com a variante B.1.1.529", disse o Departamento de Saúde britânico. em um comunicado, acrescentando que as pessoas infectadas e suas famílias ficarão isoladas.  "Os dois casos estão relacionados (entre si) e com uma viagem para o sul da África", diz o comunicado. As autoridades de saúde destacaram que um deles foi detectado na cidade de Nottingham (centro) e a outra em Chelmsford (ao leste de Londres).

Para "enfrentar a evolução da situação", o governo britânico decidiu endurecer a partir deste domingo as condições de entrada em seu território para as pessoas procedentes do Malawi, Moçambique, Zâmbia e Angola. Em coletiva de imprensa neste sábado, o premiê britânico Boris Johnson também afirmou que qualquer viajante que chegar no Reino Unido deverá fazer um teste PCR e se isolar por dois dias até ter o resultado do exame.

Johnson disse ainda que o Reino Unido reforçará medidas para aplicar a terceira dose e pretende vacinar pelo menos 6 milhões na Inglaterra nas próximas três semanas. O uso de máscaras no transporte público também vai ser restaurado. “Não sabemos ao certo o quão efetivas são as vacinas contra a variante omicron, mas temos razões para acreditar que a terceira dose produz uma resposta mais forte. Essas medidas que estamos tomando hoje são temporárias e serão revistas em três semanas, quando devemos ter mais informações sobre a eficácia das vacinas contra a variante”, declarou o premiê. 

Os quatro países se unem à lista que já conta com África do Sul, Namíbia, Lesoto, Essuatíni (ou Suazilândia), Zimbábue e Botsuana, colocados na "lista vermelha" do governo na sexta-feira. Todas as pessoas procedentes desses países estão proibidas de entrar no Reino Unido, exceto se forem cidadãos britânicos ou residentes. Os que "tiverem voltado desses países nos últimos 10 dias devem se isolar e fazer um teste PCR". 

O governo britânico registra um dos saldos de mortes por covid-19 mais graves do mundo, com mais de 140 mil pessoas, e registra atualmente um aumento dos casos, com cerca de 1 mil hospitalizações por dia.

Antes das restrições

Tentando conter o maior surto de infecções por covid-19 desde o início da pandemia, a Alemanha confirmou neste sábado dois casos da nova variante em pessoas que chegaram pelo aeroporto de Munique no dia 24 de novembro, antes de Berlim determinar a África do Sul como país de sua lista de restrições. As duas pessoas infectadas estão isoladas 

A chegada da nova variante, considerada "preocupante" pela Organização Mundial da Saúde, é mais um motivo de temor para as autoridades alemãs, que tentam controlar o maior número de infecções desde o começo da pandemia. Nesta semana, o país ultrapassou a marca dos 100 mil mortos e quebrou o recorde de novos casos diários, com 75.961 registrados na quinta-feira 25.

Na Itália, o ministério da Saúde informou que o caso confirmado em uma pessoa que vinha de Moçambique foi o primeiro notificado e estava sendo investigado. O paciente passa bem e está em isolamento. Na noite deste sábado, 27, Bélgica, Israel e Hong Kong também comunicaram que a variante foi detectada em viajantes.

 

Casos suspeitos

Holanda anunciou neste sábado que está analisando se 61 pessoas procedentes da África do Sul que deram positivo para a covid-19 estão infectadas com a nova variante Ômicron. 

Segundo as autoridades de saúde holandesas, os 61 passageiros que deram positivo viajaram em dois aviões procedentes da África do Sul, nos quais havia outros 531 passageiros que deram negativo. Por enquanto, estão em quarentena em um hotel nos arredores do aeroporto de Amsterdã. "Os resultados positivos serão examinados rapidamente para ver se estão relacionados com a nova e preocupante variante", explicaram.

Autoridades sanitárias da República Checa também estão investigando um caso suspeito de uma pessoa que estava Namíbia. 

Na sexta-feira 26, o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) afirmou que o risco de que a nova variante da covid-19 se espalhe pela Europa é "de alto a muito alto". / AFP, APESP e REUTERS

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