Chip Somodevilla/Getty Images/AFP
Chip Somodevilla/Getty Images/AFP

Relações diplomáticas entre EUA e Rússia: as expulsões de representantes ao longo dos anos

Na segunda-feira, Donald Trump anunciou a saída de 60 diplomatas russos do território americano; veja outros episódios semelhantes

O Estado de S.Paulo

27 Março 2018 | 11h17

A expulsão de 60 diplomatas russos dos EUA, anunciada na segunda-feira 26, e de mais de 100 da Europa, Canadá, Austrália e Ucrânia, em resposta ao envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal no sul da Inglaterra, ecoa o passado em termos de espionagem entre Washington e Moscou. Veja abaixo alguns dos casos mais conhecidos.

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1986: Expulsão em massa

Em novembro de 1986, o então presidente americano, Ronald Reagan, expulsou 55 diplomatas soviéticos em um esforço para frear as atividades de espionagem de Moscou. As autoridades russas, por sua vez, ordenaram que 260 funcionários da embaixada americana na capital russa parassem de trabalhar. Foi o maior número de representantes a serem expulsos pelos EUA de uma só vez.

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O conflito surgiu depois que um funcionário soviético da ONU, Gennadi F. Zakharov, foi preso acusado de espionagem. A Rússia respondeu prendendo Nicholas S. Daniloff, correspondente em Moscou para a revista U.S. News & World Report, acusando-o do mesmo crime. Ele foi solto dois anos depois.

1994: Ajuda

Pouco após a prisão de Aldrich H. Ames, um agente da CIA que se tornou agente duplo, autoridades americanas expulsaram um diplomata russo, Aleksandr Lyskenko, identificado como membro do Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia. De acordo com o Departamento de Estado, Lyskenko estava em “uma posição de ser responsável” pelas atividades de Ames como um espião muito produtivo.

Embora a traição de Ames tenha sido uma das mais prejudiciais para a inteligência americana desde a 2.ª Guerra, a resposta de Washington foi consideravelmente menos severa do que teria sido na época da União Soviética.

Nos anos seguintes ao fim da URSS, a administração Clinton, ansiosa para incentivar as relações amistosas entre os dois países, apoiou o novo governo do então presidente Boris N. Yeltsin. Antes que Lyskenko fosse informado de que teria de deixar o país, em fevereiro de 1994, os americanos deram aos russos a opção de enviá-lo voluntariamente de volta para casa.

2001: Tensões acirradas

Em março de 2001, os EUA expulsaram 50 diplomatas russos após a prisão de Robert P. Hanssen, um especialista em contrainteligência do FBI e que havia trabalhado como espião para Moscou por mais de 15 anos.

Agentes americanos disseram que Hanssen havia recebido milhares de dólares depois que se ofereceu para divulgar segredos dos EUA à Rússia, e culparam o Kremlin por não recusá-lo ou entregá-lo. Como resposta, oficiais russos expulsaram vários diplomatas americanos.

2010: Célula dormente

Em 2010, dez russos acusados de integrar uma célula dormente foram deportados após se declararem culpados de conspiração em um tribunal federal em Manhattan. Como parte de um acordo, os espiões foram trocados por quatro prisioneiros russos, sendo que três deles cumpriam pena por acusações de traição.

O caso, normalmente comparado ao enredo de um livro de espionagem, inclui evidências de cartas escritas com tinta invisível, dinheiro enterrado e uma mulher ruiva cujas façanhas românticas e fotos ousadas eram feitas para um tabloide.

2013: Prisão inusitada

Em maio de 2013, o governo russo ordenou um agente da embaixada americana, identificado como Ryan C. Fogle, a deixar o país. A expulsão seguiu uma prisão um tanto cômica na qual ele foi pego com duas perucas - uma loira e uma morena -, um mapa das ruas de Moscou, US$ 130 mil em espécie e uma carta na qual oferecia “mais de US$ 1 milhão ao ano por uma cooperação de longo prazo”.

Junho de 2016: Briga na embaixada

Os EUA expulsaram dois diplomatas russos como forma de retaliação ao episódio em frente à embaixada americana em Moscou, na qual um policial russo atacou um diplomata americano. Uma emissora de televisão russa divulgou um vídeo curto da briga e disse que o americano era um agente disfarçado da CIA que se recusava a mostrar sua identidade antes de entrar na embaixada.

O Departamento de Estado afirmou que o americano era um “diplomata credenciado” que havia sido agredido como parte do assédio sistemático dos membros da embaixada americana pelas autoridades russas.

Dezembro de 2016: Interferência nas eleições

Os EUA expulsaram 35 representantes russos em resposta ao que as agências de espionagem americanas disseram ser interferência nas eleições presidenciais americanas em 2016.

Julho de 2017: Retaliação tardia

O presidente russo, Vladimir Putin, ordenou que a missão diplomática americana reduzisse sua equipe para 755 funcionários em resposta às sanções americanas, incluindo a expulsão de 35 oficiais russos, nas últimas semanas da gestão de Barack Obama. A medida foi adiada pelo líder russo na esperança de que as relações ficassem melhores sob a presidência de Donald Trump, “mas, a julgar por tudo, se mudar, não será em breve”. / NYT

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