Yana Paskova/The New York Times
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Secretário de Justiça admite falhas em prisão onde Epstein foi encontrado morto

De acordo com fontes, Epstein ficou horas sem supervisão dos guardas, que deveriam verificá-lo a cada meia hora; penitenciárias federais dos EUA também passam por momento de congelamento de vagas

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2019 | 22h38

WASHINGTON - O secretário de Justiça dos EUA, William Barr, admitiu nesta segunda-feira, 12, que “sérias irregularidades” foram identificadas no presídio federal em Manhattan onde o empresário Jeffrey Epstein estava preso e foi encontrado morto no sábado, após supostamente ter cometido suicídio.

“Fiquei chocado e, de fato, todo o departamento também ficou. E francamente bravo em saber da falha em adequadamente proteger esse prisioneiro”, afirmou Barr. Ele acrescentou que “investigações prolongadas” serão feitas sobre o caso.

As circunstâncias da morte de Epstein ainda não foram esclarecidas. Ele morreu supostamente por enforcamento, apenas duas semanas depois de ter sido retirado da lista de detentos sob supervisão por risco de suicídio, no dia 29.

Epstein foi encontrado inconsciente em sua cela no dia 23, com marcas no pescoço, em uma aparente tentativa de suicídio. Durante menos de uma semana, ficou sob avaliações psiquiátricas diárias no Centro Corretivo Metropolitano de Manhattan, aguardando julgamento sob acusações de tráfico sexual de menores e abuso sexual.

O empresário foi encontrado morto em sua cela às 6h30 de sábado, por um guarda que fazia a ronda matinal na prisão. Pelas condições do corpo, ele havia morrido horas antes de ter sido encontrado, apesar de o regimento da prisão determinar que os detentos que estão em uma das alas mais restritivas do presídio sejam conferidos a cada meia hora, o que não ocorreu, segundo fontes ouvidas pelo jornal The New York Times.

O regulamento da prisão também prevê que detentos na situação de Epstein, recém-saídos da supervisão por suicídio, devem ter um companheiro de cela, o que não foi cumprido.

Apesar de Barr não ter especificado as irregularidades encontradas, a morte de Epstein ocorreu em um contexto de congelamento de vagas em presídios federais, denunciadas ao governo em Washington há mais de um ano. Um dos guardas da unidade onde Epstein morreu trabalhou horas extras durante cinco dias seguidos, segundo fontes. Também de acordo com relatos, um dos dois guardas que fazia o patrulhamento no provável momento em que Epstein morreu não é um funcionário fixo da penitenciária.

O acontecimento também está cercado por teorias da conspiração, já que Epstein era um homem bem relacionado que nas décadas de 80 e 90 teve ligações com o ex-presidente Bill Clinton e com o presidente Donald Trump, além de outros.

No sábado, Trump compartilhou uma publicação no Twitter afirmando que Epstein “tinha informações sobre Clinton, e agora morreu”. Ainda não foi confirmado o envolvimento de nenhuma personalidade pública ou anônima com os crimes sexuais de Epstein. / NYT

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