Photo by Jack GUEZ / AFP
Photo by Jack GUEZ / AFP

Aliado revê ameaça de rompimento e governo de Netanyahu ganha fôlego

Líder do partido Lar Judaico reforça apoio à coalizão de premiê israelense e cobra governo mais à direita

O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2018 | 21h20

JERUSALÉM - O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, ganhou sobrevida no cargo nesta segunda-feira, 19, quando o segundo principal partido que sustenta sua coalizão recuou na ameaça de deixar o governo de direita, o que levaria o país a eleições antecipadas. Contrariando expectativas, o líder do partido nacionalista religioso Lar Judaico, Naftali Bennett, reforçou sua confiança na coalizão e disse esperar que a linha adotada por Netanyahu a partir de agora seja mais à direita.

"Se o primeiro-ministro é sério em suas intenções - e quero acreditar em suas palavras de ontem à noite (domingo) - deixaremos de lado todas nossas exigências políticas no momento e o ajudaremos na missão imensa de fazer Israel ganhar de novo", disse Bennett. "Se o governo puder começar a percorrer o caminho certo, agindo como um verdadeiro governo de direita, vale a pena tentar", completou. 

O partido nacionalista condicionava sua permanência na coalizão à concessão do Ministério da Defesa a Bennett, que hoje ocupa a pasta da Educação. A gestão da Defesa está vaga desde a semana passada, quando Avigdor Lieberman  deixou o cargo e retirou seu partido, o Yisrael Beiteinu, da coalizão governista após o primeiro-ministro concordar em estabelecer uma trégua com o grupo Hamas, que controla a Faixa de Gaza. A saída de Lieberman deixou Netanyahu com a maioria apertada na Knesset. Ele tem 61 assentos, de 120.

O movimento islamista Hamas comemorou a saída de Lieberman como “uma vitória política para Gaza”. A escalada de violência em Gaza levou grupos armados palestinos a lançar mais de 400 foguetes e granadas de morteiro sobre Israel, e provocar o revide do Exército israelense, que bombardeou posições no território e matou ao menos 15 palestinos.

Em uma entrevista no domingo, 18, Netanyahu afirmou que seria “irresponsável” convocar eleições antecipadas. “A segurança do Estado vai além das considerações políticas”, disse.

A situação de Bibi se complicou na sexta-feira, quando Bennett exigiu ser ele o nomeado ministro da Defesa para se manter na coalizão. Netanyahu negou o pedido. “Eu sou o ministro da Defesa, e continuarei sendo. Eu sei o que fazer e quando fazer”, acrescentou ele. Sem o Lar Judaico, a coalizão governista teria apenas dois partidos e 53 assentos.

Segundo analistas, Netanyahu quer evitar eleições antes do fim do ano para impedir que o procurador-geral Avichai Mendelblit decida se apressar e apresentar uma acusação em duas das investigações de corrupção contra ele - o caso 1000 e caso 2000 - para as quais a polícia já apresentou seu indiciamento.

Além disso, se eleições forem antecipadas, a Knesset não poderá nomear o novo chefe de polícia indicado por Netanyahu, major-general Moshe Edri. Segundo especialistas, Edri seria próximo de Netanyahu e poderia impedir o prosseguimento das investigações contra Netanyahu. Se a Knesset se dissolver antes que a nomeação seja feita, o gabinete se tornará um governo de transição, que não pode aprovar a nomeação de novos ministros ou cargos públicos.

Analistas especulam desde julho que Netanyahu convocaria eleições antecipadas para tentar sobreviver às investigações de corrupção e à ameaça de acusações de suborno. Mas sua popularidade caiu nos últimos dias por causa da maneira como Netanyahu conduziu a questão de Gaza. Segundo pesquisas, 74% dos israelenses estão insatisfeitos com o acordo com o Hamas.

No domingo, no fim do dia, Netanyahu, chefe do partido de direita Likud, tentou ainda o apoio do seu ministro das Finanças, Moshe Kahlon, do partido Kulanu, de centro-direita, a terceira força da coalizão. Kahlon, no entanto, pediu a Netanyahu que “convoque as eleições imediatamente”. A eleição antecipada poderia ocorrer em março, segundo a imprensa de Israel. / AP, AFP e REUTERS

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.