AP Photo/Susan Walsh
AP Photo/Susan Walsh

Vídeo em tom hollywoodiano defendendo desnuclearização é exibido a Kim Jong-un

Produção apresenta líderes de EUA e Coreia do Norte como personagens do filme que simula como seria o país asiático se armas nucleares fossem abandonadas

O Estado de S.Paulo

12 Junho 2018 | 16h22

CINGAPURA - Antes que o presidente americano, Donald Trump, se sentasse para conversar com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, nesta terça-feira, 12, um vídeo foi exibido para persuadir o chefe da Coreia do Norte a se comprometer com a paz e a desnuclearização. Trump é um ex-astro de reality show e usou o drama de Hollywood para tentar influenciar Kim.

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O vídeo foi divulgado ao público depois da cúpula. Segundo o presidente americano, oito autoridades norte-coreanas também assistiram ao vídeo de quatro minutos. Trump disse que os integrantes da delegação norte-coreana se reuniram em volta de um iPad para ver a produção, que usa recursos mais característicos de filmes hollywoodianos do que linguagem diplomática. "Dois homens, dois líderes, um destino", diz a voz do narrador. Imagens com aviões de guerra e artilharia são exibidas, enquanto a voz diz que "um novo mundo pode começar hoje, um de amizade, respeito e boa vontade".

Confira o momento em que o trailer foi divulgado à imprensa internacional:

"Acho que ele adorou", afirmou Trump, acrescentando que a delegação da Coreia do Norte recebeu uma cópia da produção. "Acho que eles estavam fascinados. Isso pode muito bem ser o futuro", ressaltou o americano. O pai de Kim e antecessor no comando do país, Kim Jong-il, era um aficionado por filmes de Hollywood e gostava especialmente dos trabalhos do diretor Steven Spilberg e da atriz Elizabeth Taylor.

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O governo norte-coreano usou filmes por muito tempo para moldar a percepção pública a respeito de seus líderes, frequentemente retratando Kim e sua família como deuses. Trump disse que não está preocupado com a possibilidade de o vídeo ser utilizado como propaganda dentro da Coreia do Norte.

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A trilha sonora é tocada por uma orquestra e o vídeo é composto principalmente por trechos de imagens genéricas e clipes de notícias antigas, mostrando Kim e Trump sorrindo. Duas versões foram produzidas - uma em inglês e uma em coreano.

Em determinado ponto são exibidas imagens com bebês e fábricas de automóveis, sugerindo como poderia ser um futuro mais próspero na Coreia do Norte caso o país abandonasse seu arsenal nuclear. Para ilustrar a desnuclearização, são utilizados trechos de mísseis balísticos em movimento inverso, voltando para as suas bases de lançamento.

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"O passado não precisa ser o futuro", diz o narrador, enquanto é exibida a Zona Desmilitarizada que separa Sul e Norte desde o armistício da Guerra da Coreia, em 1953. Mais tarde, uma sequência animada mostra como a Coreia do Norte poderia ser vista pelo espaço se fosse tão iluminada quanto a Coreia do Sul. Em alguns momentos, o vídeo parece falar diretamente a Kim, sugerindo que sua escolha poderia abrir o país a novos investimentos, além de ocupar papel protagonista na comunidade internacional.

No momento mais parecido com um trailer de Hollywood, os dois líderes são apresentados como personagens de um filme. "Apresentando o presidente Donald Trump e o presidente Kim Jong-un, em uma reunião para refazer a história, para brilhar ao sol. Um momento, uma escolha. E se?" A narrativa sugere que Kim poderia ser o herói da população norte-coreana. "Ele vai apertar a mão da paz e aproveitar a prosperidade como nunca se viu antes, uma vida excelente, ou vai [querer] mais isolamento? Qual caminho será escolhido?"

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Esta não é a primeira vez que um vídeo é utilizado como forma de diálogo envolvendo Kim. Na cúpula realizada entre Pyongyang e Seul em abril, um vídeo de alta produção e música inspiradora foi exibido, destacando outras reuniões entre os líderes dos dois países.

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Segundo os créditos, a produção do trailer exibido nesta terça em Cingapura é assinada pela Destiny Pictures. Representantes de uma produtora de mesmo nome em Los Angeles não responderam a pedidos de comentários. A Casa Branca não se manifestou imediatamente sobre as perguntas envolvendo a produção do vídeo. / REUTERS e AP

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