EFE/Javier López
EFE/Javier López

As três principais opções para Pedro Sánchez governar na Espanha

Apesar de aumentar sua bancada de 85 para 123 deputados na Parlamento, líder socialista terá que formar coalizão com outros partidos para evitar um governo de minoria, no qual seria necessário negociar cada iniciativa com os congressistas

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2019 | 08h43

MADRI - Com a vitória na eleição legislativa de domingo, mas sem obter maioria para governar na Espanha, o socialista Pedro Sánchez será obrigado a formar uma coalizão para continuar no poder. Estar são as três principais opões:

- Governo minoritário

Sánchez pode continuar continuar governando em minoria com os 123 deputados que conquistou agora, em comparação com os 85 que tinha em seus primeiros dez meses no poder, negociando apoio para cada iniciativa no Parlamento. "Vamos tentar", disse nesta segunda-feira, 29, a número dois do governo, Carmen Calvo.

Ele também pode abrir governo para a esquerda radical do Podemos (com 42 deputados), que já adiantou ter interesse de entrar no governo para defender sua agenda social. Juntos, eles ficariam a apenas 11 cadeiras de obter a maioria absoluta dos 176 de 350 deputados necessária para governar.

O apoio de uma série de partidos regionalistas, incluindo os nacionalistas bascos do PNV (6 cadeiras), permitiria que a coalizão chegasse a 175 cadeiras. Com esses números, para Sánchez manter-se como primeiro ministro bastaria a abstenção de um parte dos independentistas catalães em uma segunda votação para designar o chefe de Estado do país, na qual é necessária apenas maioria simples.

Desta forma, Sánchez o apoio aberto dos independentistas catalães, o que o pouparia das críticas da direita de que ele foi "refém" deste grupo nos últimos meses.

- Com os independentistas catalães

Sánchez considera que os independentistas catalães, que ganharam terreno e passaram de 17 para 22 deputados, "não são confiáveis". Depois de votarem junto ao Podemos e ao PNV em junho na moção de censura no Parlamento que levou o socialista ao poder, eles precipitaram o fim da legislatura ao se recusarem a apoiar o orçamento proposto pelo PSOE.

Uma aliança com Podemos e a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC, 15 cadeiras), a mais moderada das formações separatistas catalãs, garantiria a Sánchez uma maioria de 180 deputados. O líder da ERC, Oriol Junqueras, não fixou nenhuma "linha vermelha" para um eventual apoio a Sánchez.

Mas os separatistas catalães continuam exigindo um referendo de autodeterminação que Sánchez rejeita. E essa maioria poderia implodir se os líderes separatistas, entre eles Junqueras, que passa por julgamento em Madri por seu papel na tentativa de secessão da Catalunha em 2017, receberem duras penas de prisão.

- Com os liberais do Ciudadanos

Seria a maioria mais simples matematicamente: 180 deputados para esses dois partidos que já tentaram, sem sucesso, uma aliança em 2016 para levar Sanchez ao poder. Mas o Ciudadanos, partido liberal e anti-independência de Albert Rivera, que fez uma campanha muito agressiva contra o líder socialista, rejeita essa possibilidade.

Tendo saltado de 32 para 57 lugares do Parlamento, o Ciudadanos não esconde sua ambição de liderar a direita, antes do colapso do Partido Popular (PP, conservador), que manteve apenas 66 dos 137 assentos.

Sánchez não descartou essa possibilidade, mas seus seguidores foram claros, cantando na noite após a eleição: "Com Rivera não". / AFP

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