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Bolsonaro defende visita de Pompeo à fronteira entre Brasil e Venezuela

Presidente também parabenizou 'determinação' de Donald Trump em 'restaurar a democracia na Venezuela'

Wellington Bahnemann, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2020 | 11h10

O presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais neste domingo, 20, para defender a visita do secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, à fronteira do Brasil com a Venezuela e as ações do governo para lidar com a imigração de venezuelanos para o País. A passagem de Pompeo pelo País na última sexta, 18, foi criticada por autoridades brasileiras, como o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e pelo ex-ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes.

"A visita do Secretário de Estado Mike Pompeo à Operação Acolhida, em Boa Vista/RR, em companhia do Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, representa o quanto nossos países estão alinhados na busca do bem comum", escreveu Bolsonaro.

Além do Brasil, a comitiva americana visitou outros países da região amazônica, como Suriname, Colômbia e Guiana - os dois últimos, também localizados na fronteira com a Venezuela. O motivo da viagem foi pressionar o regime de Nicolás Maduro e demonstrar o alinhamento dos EUA com os países do entorno. Em Boa Vista, por exemplo, Pompeo se referiu a Maduro como "traficante de drogas", lembrando acusações que o próprio governo americano fez contra o regime chavista em março, sendo endossado pelo chanceler brasileiro, que se referiu ao governo venezuelano como "um regime criminoso, narcoterrorista."

A vinda de Pompeo foi duramente criticada por autoridades brasileiras. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, afirmou que a recepção ao secretário de Estado americano faltando apenas 46 dias para a eleição presidencial norte-americana "não condiz com a boa prática diplomática internacional e afronta as tradições de autonomia e altivez de nossas políticas externa e de defesa".

A crítica ao caráter eleitoreiro da visita de Pompeo foi acompanhada pelo ex-ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes, que classificou a postura brasileira como "vassalagem a um presidente-candidato". "É o caso de perguntarmos o que nos acrescenta a montagem de um palanque eleitoral para um discurso provocativo de interesse exclusivo de Donald Trump", escreveu Nunes em suas redes sociais.

Em sua publicação neste domingo, Bolsonaro ainda destacou os resultados obtidos pelo governo com a Operação Acolhida. De acordo com o presidente, 41.146 venezuelanos foram acolhidos pelo Brasil, dos quais 1,3 mil em agosto deste ano, e tiveram a oportunidade de recomeçar as suas vidas em 608 municípios brasileiros. Sem especificar precisamente o período, também disse que o Ministério da Cidadania investiu, entre março e julho, R$ 80 milhões em ações sociais e assistenciais e inclusão econômica para os venezuelanos migrados ao País.

O presidente ainda parabenizou o presidente americano, Donald Trump, por sua "determinação de seguir trabalhando, junto com o Brasil e outros países, para restaurar a democracia na Venezuela". O post no Twitter aparece com uma foto de Trump cumprimentando Bolsonaro durante a 14ª Cúpula do G20, realizada em Osaka, Japão, em junho do ano passado.

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