Nick Pfosi/REUTERS
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Entenda o caso Daunte Wright

Jovem negro de 20 anos foi baleado e morto pela polícia na cidade de Brooklyn Center, em Minnesota

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2021 | 18h28

WASHINGTON - O jovem negro Daunte Wright, de 20 anos, foi baleado e morto pela polícia na cidade de Brooklyn Center, Minnesota, no domingo. O novo episódio envolvendo a morte de negros por policiais brancos provocou protestos no subúrbio de Minneapolis, onde um dos julgamentos policiais mais assistidos na memória recente do país está acontecendo, do policial Derek Chauvin, acusado de matar George Floyd

A polícia disse na segunda-feira que o disparo contra Wright parece ter sido uma “descarga acidental” e que a policial pretendia usar um Taser, mas sacou por engano uma arma. 

A tensão já estava alta para o julgamento de Chauvin, que se ajoelhou no pescoço de Floyd por mais de nove minutos em maio passado. A morte de Floyd gerou protestos e agitação civil em todos os EUA e no mundo, e levou a um julgamento nacional sobre o racismo. Saiba mais sobre o caso: 

Quem é Daunte Wright?

Daunte Wright era um jovem negro de 20 anos, pai de um menino de 2 anos. Ele havia abandonado o colégio há cerca de dois anos por deficiência de aprendizagem, afirmou seu pai, Aubrey Wright, ao Washington Post. Desde então, vinha trabalhando em restaurantes de fast-food para sustentar seu filho, mas planejava voltar à escola. "Ele era um ótimo garoto", disse Aubrey Wright. “Ele era uma criança normal, nunca teve problemas sérios. Ele gostava de passar o tempo com seu filho de dois anos".

Sua mãe, Katie, contou em entrevista à emissora americana ABC que Wright amava jogar basquete, principalmente com seu filho.  “Meu filho era incrível, um filho amoroso. Ele tinha um coração enorme”, disse Katie, acrescentando que Daunte era amado por seus irmãos e irmãs. Daunte tinha um mandado de prisão, emitido no início deste mês, por não ter comparecido ao tribunal. Ele havia sido acusado duas vezes por contravenção por porte de arma sem permissão e por fugir de policiais de Minneapolis no ano passado.

 

O que aconteceu em Brooklyn Center? 

Daunte Wright foi baleado e morto pela polícia em uma blitz de trânsito na cidade de Brooklyn Center no domingo. A cidade de cerca de 30 mil habitantes fica a 16 km ao norte de Minneapolis e tem uma grande população afro-americana.  A polícia disse que parou Wright por uma infração de trânsito, mas descobriu que ele tinha um mandado existente e tentou prendê-lo. Wright voltou para seu veículo, contra o qual a polícia disparou. Wright foi atingido.

Katie Wright disse que estava ao telefone com seu filho durante a abordagem. Ele disse a ela que foi parado por ter purificadores de ar pendurados no espelho retrovisor, o que é ilegal em Minnesota. Ela disse que sua família comprou o carro para Daunte há duas semanas. Na maioria das circunstâncias, a política da polícia alerta para não atirar em carros em movimento. A polícia disse acreditar que a câmera do corpo da policial foi ativada durante o disparo. 

Quem é a policial que matou Daunte Wright? 

A policial americana Kim Potter tem 48 anos e foi oficial do Departamento de Polícia de Brooklyn Center por 26 anos. Ela foi licenciada pela primeira vez como policial em Minnesota em 1995 e se formou no Saint Mary’s College em Winona, Minnesota, em 1994, com especialização em justiça criminal, disseram funcionários da escola. Ela pediu demissão nesta terça-feira, 13. Até sua demissão, ela havia sido colocada em licença administrativa dentro do departamento. 

Como reagiram os manifestantes? 

Após o incidente, manifestantes iniciaram protestos em Minneapolis, apesar do início de um toque de recolher na cidade do norte dos EUA, agitada pela morte do jovem negro ao mesmo tempo que acontece o julgamento pelo assassinato de George Floyd. Dezenas de manifestantes se reuniram e gritaram frases contra o racismo diante de uma delegacia de polícia de Brooklyn Center, o subúrbio onde Daunte Wright foi morto no domingo.

Os manifestantes desafiaram a polícia na cerca instalada ao redor da delegacia e exibiram cartazes com frases como "Prendam todos os policiais assassinos racistas", "Eu sou o próximo" e "Sem justiça não há paz".

A polícia usou gás lacrimogêneo em vários momentos e ordenou a dispersão dos manifestantes. Quarenta pessoas foram detidas e integrantes das forças de segurança sofreram ferimentos leves, de acordo com fontes policiais.

Além do toque de recolher decretado pelos prefeitos das cidades de Minneapolis e Saint Paul e nos três condados da área metropolitana, incluindo Hennepin, onde aconteceu o incidente, mil soldados da Guarda Nacional patrulham as ruas para evitar mais distúrbios.

 

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