Alexei Nikolsky/ Reuters
Alexei Nikolsky/ Reuters

Estados Unidos reveem arsenal nuclear e ameaçam Rússia

Pentágono quer adquirir novas armas nucleares de baixa potência, em resposta ao rearmamento de Moscou, que voltou a ser um rival

O Estado de S.Paulo

02 Fevereiro 2018 | 20h04

WASHINGTON - O governo do presidente Donald Trump pretende manter grande parte da política de armas nucleares da administração Barack Obama, mas adotará uma posição mais agressiva com relação à Rússia. O país também pretende adquirir novas armas nucleares de baixa potência, em resposta ao rearmamento russo, segundo nova diretriz divulgada nesta sexta-feira, dia 2, pelo Pentágono.

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Segundo anúncio de Washington, Moscou precisa entender que enfrentará elevados custos se ameaçar com um ataque nuclear, mesmo que limitado, na Europa. 

Essas novas armas, que segundo especialistas aumentam o temor de proliferação e o risco de conflito nuclear, representam uma “resposta à expansão das capacidades (nucleares) da Rússia”, disse a jornalistas Greg Weaver, encarregado das capacidades estratégicas do Estado-Maior dos EUA.

Segundo o governo, a Rússia está modernizando um arsenal de 2 mil armas nucleares táticas, ameaçando os países europeus em suas fronteiras e ignorando suas obrigações com relação ao Tratado Star para a redução do número de armas nucleares, firmado em 2010. De acordo com Weaver, o Pentágono notou a “disparidade” entre as capacidades nucleares de Rússia, EUA e Otan. 

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A nova política nuclear americana não prevê o aumento de armas nucleares estratégicas, uma posição que contrasta com o discurso que Trump fez um pouco antes de assumir a presidência, no qual disse que os EUA precisavam ampliar, e muito, sua capacidade nuclear. Em seu discurso de terça-feira sobre o Estado da União, o presidente mencionou a expansão nuclear, mas disse que o arsenal americano precisava ser capaz de deter atos de agressão.

O documento de 74 páginas menciona as ameaças de China, Coreia do Norte e Irã, avaliando que a atual situação mundial é muito mais complexa que em 2010, quando o Pentágono publicou sua última revisão da posição nuclear.

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O texto qualifica a Coreia do Norte de uma “clara e grave ameaça” para os EUA e aliados e assegura que qualquer ataque nuclear norte-coreano resultará no fim desse regime. “Não há nenhum cenário no qual o regime de Kim (Jong-un) possa usar armas nucleares e sobreviver”, disse o documento.

O governo conclui que os EUA deveriam seguir os planos da administração anterior para modernizar o arsenal nuclear, que inclui novos bombardeios, submarinos e bases de lançamento de mísseis. Também apoia a adesão aos atuais acordos de controle de armas, incluindo o novo Tratado Start, que limita o arsenal de EUA e Rússia em 1.550 ogivas nucleares estratégicas cada um.

O Novo Start entrou em vigor em 5 de fevereiro de 2011 e o limite de armas determinado nele deve ser alcançado até segunda-feira. Os EUA dizem que estão cumprindo os limites desde agosto e esperam que os russos também cumpram o prazo. A revisão nuclear do Pentágono concluiu que, apesar de o controle de armas estar avançando, fica difícil prever um maior progresso diante do que Washington considera agressões da Rússia na Ucrânia e violações dos acordos de armas existentes. 

Como Obama, Trump só considerará o uso de armas nucleares em “circunstâncias extremas”, apesar de manter uma certa ambiguidade sobre o que isso realmente representa. / AP e AFP

 

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