EFE/Alaa Badarneh
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Hamas anuncia cessar-fogo na Faixa de Gaza; Israel diz que manterá calma se não for atacado

Porta-vozes de palestino e de israelenses se comprometem a manter acordo se um lado não atacar o outro; região vive clima de tensão desde março, quando começou onda de protestos contra bloqueio imposto por Israel e Egito

O Estado de S.Paulo

30 Maio 2018 | 17h24
Atualizado 30 Maio 2018 | 18h14

CIDADE DE GAZA - Líderes do Hamas disseram nesta quarta-feira, 30, que acertaram um cessar-fogo com Israel para acabar com a maior onda de violência entre os dois lados desde a guerra de 2014. O funcionário de alto escalão do grupo Khalil al-Hayya disse que moradores egípcios da Faixa de Gaza intervieram "depois que a resistência conseguiu afastar a agressão (de Israel)". Ele afirmou que os grupos militantes de Gaza se comprometerão com o cessar-fogo enquanto Israel também o fizer.

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O ministro do Interior israelense, Aryeh Deri, disse à rádio do Exército esperar que a calma seja restaurada na região. "Se tudo ficar calmo, responderemos com calma. Demos ao Hamas a chance de provar que podemos voltar à rotina. Se eles soltarem as rédeas, haverá um ataque muito doloroso", afirmou. "Há uma boa chance de que a rotina seja restaurada após o golpe do Exército contra eles."

Durante a noite, militares israelenses atacaram dezenas de locais de militantes em Gaza, enquanto morteiros foram lançados pelo grupo militante em direção às comunidades do sul de Israel. Os militares afirmaram ter atingido instalações de armazenamento de drones, instalações militares e oficinas de morteiros e munição em toda a Faixa de Gaza. Um morteiro do Hamas atingiu a cidade de Netivot pela primeira vez, desde a guerra de 2014. Uma casa foi atingida, mas não houve feridos.

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Como nenhum dos lados tem interesse em um conflito maior, uma calma ainda sob tensão pareceu se manter na manhã desta quarta-feira, enquanto crianças israelenses iam para a escola.

A área da fronteira tem vivido sob intensa disputa nas últimas semanas. Palestinos realizam protestos em massa desde março para suspender o bloqueio israelense-egípcio imposto depois que o Hamas tomou o poder, em 2007. A última guerra, em 2014, foi especialmente devastadora. Mais de 2 mil palestinos foram mortos, incluindo centenas de civis. Danos generalizados foram causados à infraestrutura de Gaza durante os 50 dias do combate. Do lado israelense, 72 pessoas, a maioria soldados, foram mortas.

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O bloqueio imposto por Israel e Egito paralisou a economia local. Inicialmente, segundo Hamas, as manifestações semanais na fronteira buscavam romper a cerca e retomar as casas que foram perdidas há 70 anos, durante a guerra em torno do estabelecimento de Israel. Atualmente, no entanto, os protestos parecem buscar principalmente o alívio do bloqueio. A taxa de desemprego em Gaza chega a 50% e o território sofre com interrupções de energia diárias.

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Depois que militantes dispararam cerca de 30 morteiros contra o território israelense na terça-feira, Israel reagiu ferozmente, ameaçando dar início a uma nova rodada de conflitos. Segundo os militares, a maioria dos projéteis disparados a partir de Gaza foi interceptada, mas três soldados ficaram feridos. Um dos morteiros caiu perto de um jardim de infância pouco antes de explodir, ferindo uma pessoa. O porta-voz militar de Israel, Ronen Manelis, ameaçou com uma ação dura e disse que cabe ao Hamas evitar que a situação se agrave. / AP

 

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