AFP PHOTO / THOMAS COEX
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Em resposta a morteiros palestinos, jatos israelenses bombardeiam Gaza

Ataque foi atribuído a militantes jihadistas e maioria das granadas foi interceptada pelo sistema de defesa de Tev-Aviv; palestinos buscam quebrar bloqueio de 11 anos imposto por Israel e Egito

O Estado de S.Paulo

29 Maio 2018 | 12h21

JERUSALÉM - Jatos israelenses bombardearam a Faixa de Gaza nesta terça-feira, 29, horas depois de militantes palestinos dispararem mais de 25 morteiros contra comunidades no sul de Israel. Segundo o Exército israelense, ninguém ficou ferido e quase todos os morteiros foram interceptados pelo sistema de defesa antiaérea de Israel Domo de Ferro - apenas um caiu perto de um jardim de infância, que não estava em funcionamento na hora do ataque.

O grande volume de projéteis foi disparado no momento em que as tensões entre os dois lados voltaram a subir. O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, se manifestou antes da retaliação. "Israel exigirá um alto preço daqueles que tentarem prejudicá-lo e nós vemos o Hamas como o responsável por prevenir tais ataques."

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Logo depois da declaração, jatos israelenses lançaram bombas contra o que as autoridades de segurança em Gaza dizem ser o local de treinamento de militantes jihadistas. A fumaça foi vista perto da cidade de Deir al-Balah, na faixa costeira, e os israelenses confirmaram que as explosões no local eram relacionadas às atividades militares. Nenhuma vítima foi relatada.

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É possível que a jihad islâmica esteja por trás dos ataques com morteiro, com a aprovação do Hamas, grupo que administra a Faixa de Gaza. "Nós mantemos (a reivindicação pelo) direito de retorno (aos terrotórios ocupados por Israel), bem como de responder aos crimes sionistas", disse o líder jihadista em Gaza, Khaled al-Batsh.

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O representante do Hamas Ismail Radwan disse que o ataque com morteiros provou que a "resistência é capaz de ferir a ocupação". "(O ataque) provou isso hoje, respondendo a seus crimes", completou. Ele se manifestou enquanto dois barcos de pesca zarpavam do porto de Gaza, com o objetivo de romper o bloqueio naval de 11 anos imposto por Egito e Israel, depois que os militantes tomaram o controle da área costeira.

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A expedição é uma nova tentativa de desafiar o bloqueio, mas aumenta as chances de mais confrontos e violência, à medida que o Estado de Israel impede que qualquer barco vindo de Gaza chegue mais longe do que um raio de seis milhas náuticas no Mar Mediterrâneo. O Hamas reconheceu que os barcos que zarparam hoje são principalmente um ato simbólico. A ação também marca oito anos desde que comandos israelenses atacaram uma flotilha de ajuda a Gaza, matando nove turcos pró-palestinos e provocando protestos internacionais contra o bloqueio.

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No sul de Israel, moradores enfurecidos reclamaram que se sentiram vulneráveis por conta de 15 anos das ameaças de fogo e foguetes da vizinha Gaza. "Foi uma manhã muito assustadora", disse Adele Raemer, moradora de Kibbutz Nirim. O ministro da Defesa israelense, Avigdor Lieberman, disse que convocou o alto escalão militar a uma reunião em Tel-Aviv para discutir a situação.

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A área da fronteira entre Gaza e Israel vive tensão nos últimos meses, desde que os palestinos passaram a realizar protestos em massa para romper o bloqueio. No domingo, bombardeios israelenses mataram três militantes de um grupo jihadista menor, depois que tropas encontraram uma bomba na fronteira. O grupo prometeu retaliação. Na segunda-feira, um taque disparou contra uma posição do Hamas em Gaza, matando um homem e ferindo outro, depois que tropas de Israel foram atacadas na fronteira.

O Hamas prometeu continuar a manifestações na fronteira. Israel afirma que está defendendo seu território e as comunidades próximas, além de acusar o Hamas de usar os protestos como disfarce para ataques. / AP

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