REUTERS/Ronen Zvulun
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Netanyahu recebe Duterte em Jerusalém para visita oficial

É a primeira visita de um presidente filipino a Israel desde 1957, quando os dois países estabeleceram relações diplomáticas; primeiro-ministro israelense foi criticado por acolher líder acusado de violar direitos humanos

O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2018 | 15h18

JERUSALÉM - O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, recebeu de maneira calorosa o presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, nesta segunda-feira, 3, para uma visita oficial. Netanyahu foi criticado por abraçar o líder filipino, acusado de violar direitos humanos em sua política de repressão às drogas. Os dois chefes de Estado supervisionaram a assinatura de três acordos sobre comércio, ciência e assistência em saúde.

Netanyahu destacou a amizade de longa data entre os países, citando como as Filipinas ajudaram os refugiados judeus após a 2ª Guerra Mundial e foram a única nação asiática a votar pelo estabelecimento do Estado de Israel. Ele observou como, nos últimos anos, auxiliares de saúde filipinos têm ajudado idosos em Israel, incluindo o próprio pai de Netanyahu. "Nós lembramos nossos amigos, e nossa amizade tem florescido ao longo dos anos, especialmente nos últimos anos", disse ele a Duterte.

"Houve um fenômeno notável em Israel, onde milhares e milhares de famílias foram aquecidas pelo apoio dado pelos cuidadores filipinos aos idosos", disse. Duterte agradeceu Israel por hospedar cerca de 28 mil trabalhadores filipinos e ajudar seu país em tempos de dificuldade. "Compartilhamos a mesma paixão pela paz, dividimos a mesma paixão por seres humanos, mas também dividimos a mesma paixão por não deixar nosso país ser destruído por aqueles que têm ideologia corrupta, que não sabem nada além de matar e destruir. E nesse sentido, Israel pode esperar qualquer ajuda que as Filipinas possam estender a seu país", declarou.

Esta é a primeira visita de um presidente filipino a Israel desde que os países estabeleceram suas relações diplomáticas em 1957. Netanyahu tem trabalhado para cultivar aliados na Ásia, África e América Latina, onde muitos países têm historicamente evitado Israel pelo tratamento dado à população palestina.

Apesar das intenções diplomáticas, Netanyahu foi criticado por receber Duterte, cujas forças de segurança são acusadas de matar milhares na escalada de combate às drogas desde que assumiu o cargo, em 2016. Duterte provocou indignação naquele ano, quando comparou sua campanha anti-drogas com o Holocausto, e a si mesmo com Hitler, dizendo que ficaria "feliz em matar" três milhões de viciados. Mais tarde, pediu desculpas pelas declarações.

O presidente filipino continuou a se envolver em escândalos. Recentemente, ele pressionou uma mulher a aceitar um beijo dele num evento e, em outra ocasião, disse que os casos de estupro em uma cidade do país continuarão "caso mulheres bonitas continuem a existir". A polícia filipina registra em 4,5 mil o número de suspeitos mortos na campanha anti-drogas desde que Duterte assumiu a presidência. Observadores internacionais de direitos humanos falam em números muito maiores. Duterte, um ex-promotor de 73 anos, nega ter autorizado execuções extrajudiciais, mas ameaçou matar traficantes abertamente.

Em seus compromissos, estão uma visita ao memorial do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém e também uma visita ao monumento que comemora o resgate dos judeus pelas Filipinas durante o Holocausto. / AP

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