Olivier Douliery/AFP
Olivier Douliery/AFP

Pesquisa aponta queda de 73% em desinformação sobre fraude eleitoral após Twitter banir Trump

Pesquisa da empresa de análise Zignal Labs também apontou a diminuição do uso de hashtags, como #FightforTrump, #HoldTheLine e "March for Trump", associadas à invasão da sede do Capitólio

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2021 | 21h16

WASHINGTON - A quantidade de desinformação compartilhada nas redes sociais sobre fraude nas eleições americanas caiu 73% desde que o presidente Donald Trump e seus aliados tiveram suas contas suspensas em várias plataformas na semana passada. A pesquisa da empresa de análise Zignal Labs relatou que as conversas sobre o assunto passaram de 2,5 milhões de menções para 688 mil em várias plataformas após Trump ter sido banido do Twitter no dia 8 de janeiro. As informações são do jornal The Washington Post.

O presidente e seus apoiadores também perderam contas no Facebook, Instagram, Snapchat, Spotify, entre outros. O banimento de Trump foi seguido por outras ações, incluindo a suspensão de mais de 70 mil contas, no Twitter, de apoiadores afiliadas da teoria da conspiração QAnon - que teve destaque no ataque ao Capitólio no início deste mês. O Twitter e outras plataformas citaram políticas contra discurso de ódio, incitação à violência e perigosas teorias de conspiração ao suspender perfis após a invasão.

"Juntas, essas ações provavelmente reduzirão significativamente a quantidade de desinformação on-line no curto prazo", disse Kate Starbird, pesquisadora de desinformação da Universidade de Washington. "O que acontecerá a longo prazo ainda está em aberto", acrescentou.

A Zignal também apontou a diminuição do uso de hashtags, como #FightforTrump, #HoldTheLine e "March for Trump", associadas à invasão da sede do Congresso americano - todas com queda de mais de 95%. As hashtags e frases usadas pelos adeptos do QAnon diminuíram na semana passada, mas as menções à ideologia e ao seu líder anônimo "Q" aumentaram 15% - uma descoberta que pode ser explicada pela cobertura sobre o assunto.

A pesquisa da Zignal e outros grupos sugerem que um ecossistema de desinformação integrado e poderoso - composto de influenciadores de alto nível, seguidores comuns e o próprio Trump - foi fundamental para pressionar milhões de americanos a rejeitar os resultados das eleições e podem ter problemas para sobreviver sem suas contas em redes sociais.

Um estudo divulgado uma semana antes da eleição presidencial pelo Election Integrity Partnership, um consórcio de pesquisadores de desinformação, descobriu que apenas 20 contas conservadoras pró-Trump no Twitter - incluindo o próprio @realDonaldTrump do presidente - foram a fonte original de um quinto dos retuítes que incentivavam narrativas enganosas sobre votação./ THE WASHINGTON POST

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