LLUIS GENE / AFP
LLUIS GENE / AFP

Polícia da Catalunha mata homem que invadiu delegacia; caso é tratado como ataque terrorista

Agressor, cuja identidade não foi revelada, carregava documento indicando ser argelino e teria 29 anos; ele foi abatido por agente da polícia regional catalã após entrar em posto policial em Cornellá de Llobregat armado com faca e gritar 'Alá é grande'

O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2018 | 10h07

BARCELONA - Um homem armado com uma faca foi morto na manhã desta segunda-feira, 20, quando invadiu uma delegacia na localidade espanhola Cornellá de Llobregat, na Catalunha, um fato tratado pela polícia como um ataque terrorista.

"É um atentado. Houve uma agressão clara contra a vida de um policial, o indivíduo pronunciou as palavras 'Alá é grande'. São indícios mínimos para tratar a investigação como a de um ato terrorista", afirmou à imprensa Rafel Comes, chefe da polícia regional catalã, os Mossos d'Esquadra.

O agressor, que tinha um documento indicando ser argelino, mas cuja identidade ainda está sendo verificada, tinha "uma vontade claramente homicida e determinada" quando atacou uma agente, que, "a fim de salvar sua própria vida, usou de uma arma de fogo, causando a morte do indivíduo", disse Comes.

O homem, um morador de Cornellá de Llobregat, teria 29 anos e chegou à delegacia por volta das 05h45 (0h45 de Brasília). Como a porta estava fechada, tocou o interfone insistentemente porque dizia querer fazer uma consulta.

O fato ocorre dias depois que a Catalunha recordou o primeiro aniversário dos atentados jihadistas de Barcelona e Cambrils, que deixaram 16 mortos. Por ora, o executivo mantém o dispositivo de alerta terrorista no nível 4 de 5, vigente desde 2015.

Depois do ataque abortado, a polícia pediu a todas as delegacias da Catalunha que aumentem preventivamente suas medidas de proteção. A agente que matou o agressor e outro policial que a ajudou estão recebendo ajuda psicológica.

A delegacia de Cornellá de Llobregat, um município de classe operária de 86.000 habitantes ao sul de Barcelona, foi isolada depois do ataque.

Os agentes da polícia revisitaram o imóvel onde o agressor morava, a apenas alguns metros da delegacia. Uma vizinha dele, Conchi García, contou que o homem se mudou há dois anos e vivia com a esposa e duas filhas. 

Zona de risco

As autoridades antiterroristas e especialistas no tema situam a Catalunha como um dos principais focos de risco jihadista na Espanha.

Um estudo do Real Instituto Elcano, de 2016, já colocava a região como "o primeiro cenário da mobilização promovida na Espanha pelo Estado Islâmico (EI)" e dizia que a maioria das prisões de pessoas suspeitas de jihadismo procediam dessa região.

O primeiro detido na Espanha por extremismo islamita, um membro do Grupo Islâmico Armado da Argélia, foi descoberto na Catalunha, em 1995.

E Mohammed Atta, um dos pilotos que chocou um avião comercial contras Torres Gêmeas de Nova York em 11 de setembro de 2001, passou um período na Catalunha antes dos ataques.

Estes temores se confirmaram na tarde de 17 de agosto de 2017 quando um veículo conduzido por um jovem marroquino atropelou intencionalmente uma grande quantidade de pedestres em Las Ramblas, uma área turística de Barcelona.

Horas depois, cinco cúmplices mataram uma mulher em outro atentado na cidade costeira de Cambrils (120 km a sudoeste), no qual atropelaram e esfaquearam várias pessoas.

Antes esse duplo atentado reivindicado pelo EI, a Espanha sofreu o atentado jihadista mais mortífero da União Europeia, em 11 de março de 2004, quando varias bombas colocadas em trens em Madri causaram 191 vítimas fatais. / AFP

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