Doug Mills/The New York Times
Doug Mills/The New York Times

Promotor especial examina tuítes de Trump que podem configurar obstrução de Justiça, diz NYT

Robert Mueller, responsável por investigação da suposta interferência russa na eleição americana, analisa mensagens em que republicano ataca o secretário de Justiça, Jeff Sessions, e o ex-diretor do FBI James Comey; defesa do presidente refuta hipótese

O Estado de S.Paulo

26 Julho 2018 | 16h41

WASHINGTON - Por anos, o presidente americano, Donald Trump, usou sua conta no Twitter como sua ferramenta de relações públicas, publicando uma grande quantidade de mensagens atacando celebridades e rivais políticos, mesmo depois de conselheiros alertarem que isso poderia criar problemas legais.

Agora, essas preocupações se mostram bem fundamentadas. De acordo com três fontes ouvidas pelo New York Times, o promotor especial Robert Mueller examina tuítes e declarações negativas do republicano sobre o secretário de Justiça, Jeff Sessions, e o ex-diretor do FBI James Comey.

Uma das suspeitas é que as mensagens de Trump tenham pressionando os ambos - testemunhas-chave na investigação conduzida por Mueller sobre a suposta interferência russa na eleição americana de 2016 -, motivo pelo qual o promotor tenta determinar se os tuítes poderiam constituir tentativas obstrução de Justiça por intimidar testemunhas e pressionar funcionários do alto escalão.

Segundo as fontes ouvidas pelo NYT, Mueller quer interrogar Trump sobre as mensagens que ele publica na rede social. 

Para os advogados do presidente, no entanto, as suspeitas de obstrução do promotor são infundadas. Eles alegam que a maior parte dos atos do presidente que são investigados por Mueller, incluindo a demissão de Comey, estavam dentro das atribuições legais de Trump enquanto chefe do poder Executivo.

Especialistas consultados pelo diário americano dizem, no entanto, que se Mueller conseguir relacionar vários episódios, encontros e evidências, como os tuítes, ele pode apresentar a acusação de que Trump teria se engajado em uma ampla campanha para interferir na investigação.

O porta-voz do promotor se recusou a comentar as alegações do NYT. O principal advogado de Trump neste caso, Rudy Giuliani, disse que a análise de mensagens na rede social do presidente é parte de uma busca desesperada para atingir o presidente.

"Se você vai tentar obstruir a Justiça, você faz isso em silêncio e em segredo, não em público", alegou Giuliani.

"Raramente se encontra uma evidência de alguém que diz 'eu tenho intenção de cometer um crime'. Então, qualquer tipo de investigação depende do uso de evidências adicionais para construir um arco narrativo que se encaixe", afirma Samuel Buell, professor de direito na Duke University e ex-procurador federal sênior. "É por isso que um promotor quer mais (coisas que sirvam como) evidências. Você precisa amarrar bem seu argumento."

Não está claro até o momento o que Mueller fará se chegar a conclusão que tem evidências suficientes para provar que Trump cometeu um crime. Mas se ele não der continuidade a uma acusação contra o presidente em um tribunal, sua investigação pode se enviada para o Congresso, que teria o poder de decidir se abre um processo de impeachment ou não.

A defesa do republicano alega que o presidente é um político sob ataque 24 horas por dia e que tem o direito de se defender usando as mídias sociais ou qualquer outro meio.

Enquanto isso, o presidente americano continua usando sua conta no Twitter para agredir testemunhas e a própria investigação de Mueller, ignorando quaisquer preocupações legais ou acusações. 

Nesta semana, ele sugeriu tirar as credenciais de segurança de seis ex-funcionários do alto escalão da segurança nacional, incluindo Comey e alguns de seus principais críticos. E tuitou falsas alegações sobre a investigação da ingerência russa. / NYT

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