Olivier Douliery / EFE
Olivier Douliery / EFE

Trump sugere construir muro no Saara para resolver crise migratória na Europa, diz chanceler

Segundo a imprensa da Espanha, Josep Borrell disse que o presidente americano comparou a situação no norte da África e no Mediterrâneo ao que acontece na fronteira dos EUA com o México

O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2018 | 10h28

O presidente dos EUA, Donald Trump, deu uma sugestão à Espanha para lidar com a crise migratória na Europa durante uma reunião recente com o ministro das Relações Exteriores do país, Josep Borrell, de acordo informações da imprensa espanhola. A ideia é simples: “construir um muro no Deserto do Saara”.

O jornal El País e a agência de notícias Europa Press informaram nesta semana que Borrell lembrou da sugestão durante um almoço em Madri nesta terça-feira, 18. A embaixada espanhola em Washington não respondeu aos pedidos para comentar o caso, mas o ministro espanhol disse ao britânico The Guardian que as informações estavam corretas.

Segundo os relatos, Borrell afirmou que Trump comparou a situação no norte da África e no Mediterrâneo ao que acontece na fronteira dos EUA com o México. Durante sua campanha presidencial, o republicano prometeu construir um muro no local e forçar o governo mexicano a pagar por ele.

O ministro alegou que não apoiava a medida e os diplomatas espanhóis disseram que, de qualquer forma, a situação europeia é diferente em termos de escala. Borrell contou que Trump discordou e ressaltou que “a fronteira no Saara não pode ser maior do que a nossa com o México”. A Casa Branca ainda não se pronunciou sobre o caso.

Apesar de as estimativas variarem, o departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA afirma que a divisa entre o território americano e o mexicano tem aproximadamente 3.060 km de extensão, enquanto o Saara mede pouco mais de 4.800 km de leste a oeste.

Um muro ao longo do Saara provavelmente envolveria a participação de diversas nações, já que ele se espalha por 11 países: Argélia, Chade, Egito, Eritreia, Líbia, Mali, Mauritânia, Marrocos, Níger, Sudão e Tunísia.

Ainda não se sabe se Trump estava falando sério ou brincando quando mencionou a construção do muro no deserto.

Imigrantes

A Espanha observou um aumento no número de imigrantes e refugiados que chegaram ao país nos últimos meses, resultado da repressão na rota do Mediterrâneo entre a Líbia e a Itália. De acordo com a Organização para Migrações (OIT), mais de 33 mil pessoas chegaram ao território espanhol oriundas do Mediterrâneo ocidental em 2018 até agora, número três vezes maior do que o mesmo período de 2017.

O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez, no poder desde junho, tentou acolher as pessoas que chegavam ao seu país ao aceitar receber barcos de resgate de imigrantes, como o MV Aquarius, depois que a Itália o rejeitou.

Relembre: México não vai pagar muro

Borrell, que foi presidente do Parlamento Europeu entre 2004 e 2007, tem criticado o sentimento anti-imigração no território europeu. “Todos na Europa estão sendo afetados por esse vírus, o medo da imigração”, disse ele ao jornal The Washington Post durante sua visita aos EUA, em junho. “Não é o caso da Espanha.”

Os comentários do ministro no almoço desta semana, no entanto, parecem afirmar que a imigração e a identidade são os problemas mais importantes enfrentados pelo continente no momento. “As sociedades europeias não estão estruturadas para absorver além de uma certa porcentagem de imigrantes, especialmente se são muçulmanos”, afirmou ele, de acordo com o El País. / THE WASHINGTON POST

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.