Matt Dunham / AP
Matt Dunham / AP

Reino Unido vai às urnas para eleições ‘mais importantes em uma geração’

Votação definirá o Parlamento que deve apresentar uma resposta à questão mais complexa na história recente do país: o Brexit

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2019 | 07h02
Atualizado 12 de dezembro de 2019 | 11h45

LONDRES - Os britânicos vão às urnas nesta quinta-feira, 12, para as eleições apontadas como as "mais importantes em uma geração", que definirá o Parlamento que deve apresentar uma resposta à questão mais complexa na história recente do país - o Brexit - e nas quais tudo é possível.

Os locais de votação abriram as portas às 7h (4h em Brasília) e serão fechados às 22h (19h em Brasília), quando serão divulgadas as pesquisas de boca de urna.

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Nas redes sociais, internautas relatam longas filas nos locais de votação, algo que, segundo eles, não é comum no Reino Unido pois o ato do voto costuma ser rápido. O cenário pode indicar que um número de eleitores acima do esperado está se encaminhando para votar. Em vários pontos do país havia uma demora de mais de 30 minutos de espera, de acordo com o jornal britânico The Guardian.

Contudo, com as particularidades do sistema eleitoral britânico, será necessário esperar até a madrugada de sexta-feira para conhecer um resultado oficial claro, especialmente se a disputa for muito acirrada.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, depositou seu voto às 8h15 (5h15 em Brasília) no distrito de Westminster, centro de Londres. Ele levou seu cachorro Dilyn ao local de votação.

O candidato trabalhista Jeremy Corbyn votou no fim da manhã em Islington, norte da capital britânica, onde tirou fotos e conversou com eleitores.

Incerteza

Durante as cinco semanas de campanha, as pesquisas apontaram a liderança do Partido Conservador, do premiê Johnson. 

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Mas a última sondagem do instituto YouGov, considerada a mais confiável, mostrou que todas as possibilidades continuam abertas. Os conservadores podem obter seu melhor resultado desde 1987 com Margaret Thatcher ou o país pode voltar a um cenário de Parlamento fragmentado e um eventual governo de coalizão pró-europeu.

"Há muita volatilidade entre o eleitorado e isto deixa as coisas mais incertas do que nunca", disse Chris Curtis, diretor do YouGov.

Decisão arriscada

No poder desde julho, mas sem maioria absoluta, Johnson arriscou convocar eleições antecipadas em dezembro - mês considerado pouco propício para atrair os britânicos às urnas em razão do frio - com a esperança de obter uma hegemonia que permita cumprir a promessa de retirar o país da União Europeia (UE) no dia 31 de janeiro.

"Quero concretizar o Brexit. Quero me concentrar em suas prioridades. Quero abrir o caminho para o potencial deste país", disse aos eleitores o ex-chanceler e ex-prefeito de Londres, de 55 anos. 

"Hoje é a oportunidade de nos unirmos como país e deixar a incerteza de lado para que as pessoas possam seguir com suas vidas.”   

Brexit adiado três vezes

Decidido por plebiscito com 52% de votos em 2016, o Brexit, inicialmente previsto para março de 2019, foi adiado em três oportunidades pela rejeição do Parlamento ao acordo de divórcio negociado com Bruxelas.

O tema monopoliza a política britânica há mais de três anos, provoca angústia em muitos britânicos e divide a sociedade.

Se chegar ao poder, Corbyn promete negociar um novo acordo para manter relações comerciais estreitas entre o Reino Unido e a UE. Além disso, ele afirma que submeterá o texto a um novo plebiscito, com a possibilidade de simplesmente anular o Brexit.

Johnson afirmou em novembro e todos repetem desde então: estas são as eleições "mais importantes em uma geração". / AFP e EFE

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