AFP PHOTO / JIM WATSON
AFP PHOTO / JIM WATSON

1 ano da presidência Trump: Os momentos mais polêmicos do republicano

Em seu primeiro mandato, ele ganhou as manchetes por diversos episódios, como as acusações de conluio entre Washington e Moscou, a saída dos EUA do Acordo de Paris, e o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel

O Estado de S.Paulo

16 Janeiro 2018 | 09h24

WASHINGTON - Donald Trump completará um ano na presidência dos EUA no dia 20. Relembre alguns dos episódios mais marcantes do primeiro mandato do republicano.

+ The Economist: O governo de Trump é tão ruim como se pinta?

Distorção das informações

Da escadaria do Capitólio, Trump pronunciou um discurso de posse no qual descreveu um panorama sombrio dos EUA, com uma péssima situação econômica e criminalidade em alta. Ao mesmo tempo, qualificou os políticos de oportunistas que enriquecem às custas das pessoas comuns, e prometeu conter essa "carnificina".

+ Um ano depois, eleitores de região que garantiu vitória de Trump seguem fiéis

No dia seguinte, em conversa com jornalistas, o então porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, insistiu em que o número de pessoas presentes na posse foi muito maior do que na de Barack Obama, em 2008. Contrariando a evidência das fotos aéreas, garantiu que os jornais estavam distorcendo a informação. Mal completava um dia e a presidência de Trump já se via mergulhada em uma polêmica por sua maneira de lidar com os fatos.

Decreto migratório

No dia 27 de janeiro, Trump assinou uma ordem executiva vetando a entrada em território americano de cidadãos de sete países de maioria muçulmana por um período de 90 dias, e de todos os refugiados por 120 dias.

O caos nos aeroportos foi imediato, com vários viajantes detidos no desembarque e em meio ao mal-estar dos agentes de segurança, que não tinham orientação suficiente sobre como aplicar a nova norma. Em seguida, vieram protestos em todo país, rejeitando uma medida que foi vista como discriminatória com relação aos muçulmanos. Trump alegou que seu objetivo era manter os terroristas longe dos EUA.

Esse primeiro decreto foi rapidamente bloqueado pela Justiça, assim como uma segunda versão, emitida em março, que retirava o Iraque da lista de países vetados. Uma terceira versão, que incluiu os cidadãos norte-coreanos e funcionários do governo da Venezuela, deveria entrar em vigor em meados de outubro, mas também foi barrada na Justiça.

FBI, Rússia e notícias falsas

No início de maio, Trump demitiu o então diretor do FBI (Polícia Federal americana), James Comey, tirando de cena o homem à frente da investigação sobre a suspeita de conluio entre a equipe de campanha do republicano e a Rússia. O objetivo seria atingir a candidatura da democrata Hillary Clinton, rival de Trump, na corrida presidencial de 2016.

Como justificativa inicial para a demissão, o presidente alegou estar insatisfeito com a maneira como Comey administrou uma investigação sobre o uso de uma conta de e-mail privada, por parte de Hillary, quando era secretária de Estado. Depois, reconheceu que, na verdade, tinha em mente o caso russo.

A saída de Comey levou o Departamento de Justiça a designar Robert Mueller como procurador especial para liderar a investigação sobre a ingerência russa na campanha eleitoral. Recorrentemente, Trump se refere a isso como notícias falsas.

Saída do Acordo de Paris

Em consonância com seu principal slogan de campanha, "America First" ("EUA em primeiro lugar"), Trump anunciou no dia 1.º de junho sua decisão de retirar o país do Acordo de Paris contra mudanças climáticas, argumentando que é injusto e nocivo para a economia e para os trabalhadores americanos.

Ele ignorou amplamente as queixas de grupos ambientais, líderes mundiais, indústria e até de sua filha Ivanka. "Fui eleito para representar os cidadãos de Pittsburgh, não de Paris", declarou o presidente.

Sistema de saúde

Ao longo da campanha e já na presidência, Trump prometeu acabar com a reforma no sistema de saúde promovida por seu antecessor, o democrata Barack Obama. Para o republicano, o "Obamacare" - que proporciona cobertura médica a milhões de pessoas em um país sem um sistema de saúde universal - é "desastroso".

Com o tempo, Trump acabou percebendo que uma coisa é fazer promessas de campanha, e outra, bem diferente, é conseguir vê-las aprovadas pelo Congresso, especialmente com seu partido dividido sobre o tema.

Tensão nuclear

Em seu discurso na Assembleia-Geral da ONU em setembro, Trump se gabou sobre o poderio militar americano e disse estar pronto para romper o acordo nuclear com o "regime assassino" do Irã.

Além disso, prometeu destruir a Coreia do Norte, se seu regime ameaçar os EUA ou seus aliados com o programa nuclear. Também chamou o líder norte-coreano, Kim Jong-un, de "homem-foguete" em uma "missão suicida".

As tensões voltaram a se acirrar depois que Kim indicou possuir capacidade para atacar o território americano com seus mísseis, e Trump respondeu dizendo que possuía "um botão nuclear muito maior e poderoso" do que o do norte-coreano.

Impostos

No dia 22 de dezembro, Trump promulgou a reforma tributária aprovada pelo Congresso, sua maior conquista legislativa. Em cumprimento a uma promessa de campanha, o presidente conseguiu uma redução de impostos que beneficia fundamentalmente as grandes corporações e apresentou como um "presente de Natal" para os americanos.

Oriente Médio

Durante a campanha eleitoral, Trump prometeu ser capaz de conseguir um acordo de paz entre israelenses e palestinos. No entanto, no dia 6 de dezembro, ele deu um passo perigoso ao reconhecer Jerusalém como capital de Israel, abandonando uma política americana de décadas.

A decisão provocou uma onda de críticas, e a ONU aprovou uma resolução de protesto. Já os palestinos anunciaram que não aceitam mais qualquer plano de paz proposto por Washington.

Fogo e fúria

A publicação do livro Fire and Fury: Inside the Trump White House (“Fogo e Fúria: Por Dentro da Casa Branca de Trump”, em tradução livre), de Michael Wolf, que aborda o primeiro ano do republicano na presidência, caiu como uma bomba ao revelar o caos permanente na sede presidencial.

Segundo a obra, o presidente é um homem desinformado, distraído e de temperamento instável, o que deu início a um debate sobre a capacidade mental de Trump de permanecer à frente do governo.

O líder dos EUA recorreu ao Twitter para se definir como "um gênio muito estável e uma pessoa muito inteligente". A autodefinição de Trump como “gênio” foi vista por seus adversários como uma confirmação das suspeitas de sua instabilidade emocional para ser presidente. / AFP

Ver em tamanho grande →

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.