Miguel Candela / EPA / EFE
Miguel Candela / EPA / EFE

Aeroporto de Hong Kong volta a operar após ocupação de manifestantes

Ainda não se sabe se haverá novos protestos nesta quarta, mas no inicio do dia a maioria dos ativistas já havia abandonado o local; China critica o que chama de ações de 'tipo terrorista'

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2019 | 02h12
Atualizado 14 de agosto de 2019 | 11h06

HONG KONG - A maioria dos voos já decolava normalmente nesta quarta-feira, 14, do aeroporto de Hong Kong, após uma terça caótica, quando o local foi ocupado pelo segundo dia consecutivo por manifestantes pró-democracia.

Os manifestantes chegaram a bloquear o caminho dos passageiros no oitavo maior aeroporto do mundo em volume de pessoas como parte dos protestos que sacodem o território há mais de dois meses. Ainda não se sabe se haverá novas ações nesta quarta, mas no inicio do dia a maioria dos ativistas já havia abandonado o local e as operações voltavam à normalidade.

O site do aeroporto revelava que dezenas de voos partiram durante a noite e centenas estão programados para o dia, apesar dos atrasos. Apenas um pequeno grupo de manifestantes permanecia no terminal aéreo, a maioria dormindo.

Hong Kong atravessa sua pior crise política desde que o Reino Unido devolveu o território à China, em 1997. O movimento, que surgiu em junho em razão de um projeto de lei que autorizaria extradições para Pequim, ampliou suas reivindicações para denunciar a redução de liberdades e as ingerências da China nos assuntos internos.

A chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, alertou na terça-feira para as consequências perigosas dos protestos para a cidade, uma das capitais mundiais das finanças.

"A violência, seja seu uso ou sua justificação, levará Hong Kong por um caminho sem retorno e afundará sua sociedade em uma situação muito preocupante e perigosa", disse ela em entrevista coletiva. "A situação em Hong Kong durante a semana passada me fez temer que tenhamos chegado a esta perigosa situação."

Tropas chinesas a caminho de Hong Kong

O movimento, cada vez mais prejudicado por confrontos entre ativista e a polícia, representa um desafio inédito para o governo chinês, que na segunda-feira disse observar "sinais de terrorismo". Nesta quarta, Pequim criticou o que chamou de ações de "tipo terrorista" cometidas por manifestantes.

"Condenamos com veemência atos de tipo terrorista", afirmou em um comunicado Xu Luying, porta-voz do Escritório de Assuntos de Hong Kong e Macau do governo chinês, em referência às agressões cometidas na terça-feira por manifestantes contra dois cidadãos da China continental.

Os jornais Diário do Povo e Global Times, diretamente ligados ao Partido Comunista, divulgaram vídeos que mostram blindados de transporte de tropas seguindo até Shenzhen, metrópole na fronteira com Hong Kong.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, qualificou a situação como "muito difícil" e "complicada", mas acrescentou que espera que tudo seja resolvido sem violência.

"Espero que se resolva pacificamente. Espero que ninguém saia ferido. Espero que ninguém seja assassinado", afirmou Trump em declarações a jornalistas em Morristown, New Jersey.

No Twitter, o presidente informou que os serviços de inteligência americanos alertaram que a China está transferindo tropas para a fronteira, e acrescentou que "todos devem permanecer calmos e a salvo". A China negou a solicitação para a visita a Hong Kong de dois navios da Marinha americana, segundo a Frota do Pacífico. / AFP

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