Nelson Almeida / AFP
Nelson Almeida / AFP

Avião com ajuda humanitária para Venezuela chega a Roraima

Alimentos e remédios que a oposição ao presidente Nicolás Maduro pretende receber devem ser enviados a Pacaraima, na fronteira com o país vizinho, na madruga de sábado; passagem está fechada desde a noite de quinta

Luiz Raatz, Enviado Especial a Boa Vista / Roraima

22 de fevereiro de 2019 | 11h04
Atualizado 22 de fevereiro de 2019 | 14h07

BOA VISTA - Um avião da Força Aérea Brasileira chegou na manhã desta sexta-feira, 22, a Boa Vista, capital de Roraima, com ajuda humanitária para ser entregue na fronteira da Venezuela, fechada pelo governo do presidente Nicolás Maduro

Ao todo, 19 lotes de arroz, 14 de açúcar, dezenas de sacos de leite em pó e de caixas com medicamentos estão armazenadas em um hangar na Base Aérea de Boa Vista a espera de transporte para cruzar a fronteira. 

Segundo autoridades da Aeronáutica, o Ministério da Defesa e a Casa Civil ainda darão detalhes de como será feito o transporte das 93 toneladas de ajuda humanitária até Pacaraima, a 215 km da capital e última cidade antes da Venezuela, que hoje recebeu uma ambulância com ao menos dois venezuelanos que queriam cruzar a fronteira para o Brasil e foram atingidos por disparos de oficiais da Guarda Nacional Bolivariana do lado venezuelano da fronteira.

Ao pousar em Boa Vista, a representante diplomática do líder opositor Juan Guaidó no Brasil, María Teresa Belandria agradeceu ao governo brasileiro pela ajuda enviada. 

"Obrigado ao presidente Jair Bolsonaro", escreveu no Twitter. Na quinta-feira, María Teresa já havia adiantado que tanto os caminhões quanto os motoristas que o conduzirão a ajuda do território brasileiro até o país vizinho serão venezuelanos.

Após a chegada em Boa Vista, María Teresa, representantes do governo brasileiro e emissários diplomáticos americanos e da USAID se reuniram para discutir os próximos passos da operação.

"Ainda não temos detalhes de como será feita a operação, mas é uma situação de emergência", disse ao Estado Michael Erin, representante da embaixada americana em Boa Vista.

Do lado brasileiro da fronteira, o clima até agora é de normalidade, apesar da repressão aos venezuelanos por parte do governo venezuelano. A avaliação do Exército em Boa Vista é que, por ora, o fechamento da fronteira é uma decisão exclusiva do governo venezuelano sobre a qual o País não tem influência. 

A expectativa, traçada antes da notícia da repressão na fronteira, era que a situação se normalizasse em algumas semanas. 

Pacaraima

Em Pacaraima, o posto de fronteira entre Brasil e Venezuela amanheceu fechado depois da ordem dada pelo presidente Maduro na tarde de quinta. Apesar disso, algumas dezenas de venezuelanos tentavam cruzar a passagem por trilhas informais chamadas trincheiras.

Guaidó assinou um decreto horas depois da decisão de Maduro pedindo que aos "órgãos do poder público responsáveis (...) que mantenham aberta a fronteira com o país irmão da República Federativa do Brasil".

Ele também reiterou a disposição da Venezuela "a manter as relações diplomáticas, consulares e de toda ordem com as autoridades das ilhas de Aruba, Curaçau e Bonaire, assim como com as correspondentes autoridades do Reino dos Países Baixos".

Já o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo afirmou que estará na fronteira do Brasil com a Venezuela no sábado para "acompanhar a ajuda humanitária colocada à disposição do povo venezuelano pelo Brasil em cooperação com os Estados Unidos”, segundo mesagem publicada em sua conta no Twitter.

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