Social Media Website/Handout via REUTERS
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Fuzis usados em ataque a mesquitas na Nova Zelândia potencializam número de mortos

Atirador que deixou 49 mortos na cidade de Christchurch iniciou ataque com uma espingarda, mas matou a mioria dos fies dentro do espaço religioso com um fuzil de assalto semiautomático, mesmo tipo de arma usada em muitos massacres nos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2019 | 16h52

WASHINGTON - O balanço de mortos do massacre em duas mesquitas na cidade neozelandesa de Christchurch está em grande parte relacionado ao fato de que o atirador se encontrava equipado com fuzis de assalto semiautomáticos, armas que possuem comprovada força letal.

Em um vídeo postado no Facebook pelo extremista autor do massacre - uma sequência que as autoridades pedem para não ser propagado - é possível vê-lo atirando contra suas vítimas numa cadência rápida, provavelmente disparando centenas de balas.

A polícia da Nova Zelândia não revelou a marca das armas, que ele cobriu com inscrições neo-nazistas ou fazendo referência a personagens que mataram muçulmanos.

Mas o vídeo mostra uma espingarda, bem como variantes civis de fuzis militares projetados para fazer o maior número possível de baixas em tempo recorde. 

Tais armas provaram, infelizmente, sua eficácia nos tiroteios que regularmente assolam os Estados Unidos. Especialmente quando estão equipadas com pentes de alta capacidade, carregadores contendo 30 ou mais balas.

Em um cinema no Colorado (82 vítimas, incluindo 12 mortos em 2012), no massacre em uma escola em Newtown (26 mortes em 2012) e no atentado jihadista em 2015 em San Bernardino (28 atingidos, 14 mortos) foram usados esses fuzis leves. 

Tais armas também estiveram presentes no massacre em um show em outubro de 2017 em Las Vegas (58 mortos, 500 feridos) e na tragédia de fevereiro de 2018 no colégio de Parkland, na Flórida (17 mortos). 

Ou no massacre em uma boate gay de Orlando em junho de 2016 (49 mortos). Entre os 53 sobreviventes, foram constatados ferimentos muitas vezes muito graves, dada a extrema velocidade dos projéteis e sua forte capacidade de destruir tecidos.

Os fuzis semiautomáticos, muitas vezes têm uma mira dobrável ou telescópica, uma alça e carregadores removíveis. "Essas características aumentam a letalidade da arma, tornando mais fácil descarregar, recarregar e manobrar em um espaço fechado", diz a organização Violence Policy Center.

Em Newtown, San Bernardino, Parkland, Las Vegas ou em outros lugares, os atiradores usaram um AR-15, um fuzil de assalto declinado em várias versões e cuja designação militar é M16. 

Os fabricantes os apresentam como objetos esportivos e de lazer, ou como a melhor resposta para a necessidade de autodefesa dos americanos.

Letal, mas legal

Embora a taxa de mortalidade na Nova Zelândia seja relativamente baixa, a legislação sobre armas é considerada menos rigorosa do que em outros países desenvolvidos fora dos Estados Unidos.

É necessária uma autorização especial para manter uma arma de fogo na Nova Zelândia, mas não há registro nacional para elas.

"Mesmo que a indústria de armas opte por chamar as armas de ataque semiautomáticas de 'fuzis modernos esportivos', não há diferença significativa entre elas e as armas militares", diz o Violence Policy Center. / AFP

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