Odair Leal/Reuters
Odair Leal/Reuters

Lula diz que Evo errou ao buscar quarto mandato na Bolívia

Em entrevista ao jornal britânico 'The Guardian', ex-presidente brasileiro ressaltou, porém, que a forma como seu colega boliviano foi forçado a deixar o poder configura um golpe de Estado

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2019 | 10h20

LONDRES - O ex-presidente boliviano Evo Morales, que renunciou ao cargo em 10 de novembro, cometeu um erro ao tentar se eleger pela quarta vez, afirmou nesta sexta-feira, 22, o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista ao diário britânico The Guardian.

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Lula, que deixou a prisão 48 horas antes da renúncia de Evo após passar 580 dias preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro - como resultado de um julgamento contestado que o sentenciou a quase nove anos de prisão - também sugeriu que não deve se candidatar às eleições de 2022.

"Meu amigo Evo Morales cometeu um erro quando buscou um quarto mandato como presidente", afirmou Lula. O político brasileiro, no entanto, ressaltou que a forma como seu colega boliviano foi forçado a deixar o cargo configura um golpe. "Mas o que fizeram com ele (Evo) foi um crime. Foi um golpe - e isso é terrível para a América Latina", completou.

Evo, de 60 anos, ficou quase 14 anos no poder e foi declarado vencedor da votação presidencial realizada em 20 de outubro - o que o manteria no governo boliviano até 2025.

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Observadores da Organização dos Estados Americanos encontraram, no entanto, uma série de irregularidades na votação e na apuração, avalizando os protestos maciços contra o presidente boliviano.

Depois de renunciar, Evo recebeu asilo político do México. Ele diz ter sofrido um "golpe político, cívico e policial" orquestrado pela direita boliviana. / AFP

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