Daniel LEAL-OLIVAS / AFP
Daniel LEAL-OLIVAS / AFP

Theresa May chora ao anunciar renúncia no Reino Unido

Em discurso de seis minutos, proferido na porta do número 10 de Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro, May não se conteve ao dizer que fez tudo para aprovar o Brexit e servir ao país que ama

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2019 | 11h33

LONDRES - Theresa May, primeira-ministra do Reino Unido, não conteve a emoção ao anunciar nesta sexta-feira, 24, que deixará o cargo em 7 de junho para que o Partido Conservador possa escolher um novo líder, que será responsável por concretizar o Brexit, algo que ela não conseguiu fazer.  

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Eu, em breve, vou deixar a função que foi a honra da minha vida: a segunda primeira-ministra mulher —mas certamente não a última. Eu fiz isso sem ser obrigada, mas com uma gratidão enorme e duradoura em ter tido a oportunidade de servir o país que eu amo
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Theresa May, ao anunciar renúncia do cargo de primeira-ministra do Reino Unido

Em um discurso de seis minutos e meio, May tentou controlar o choro. Após o anúncio de sua renúncia, ela se virou de costas e entrou pela porta do número 10 de Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro.

"Eu fiz tudo o que eu podia para convencer os parlamentares a apoiarem esse acordo [do Brexit]. Infelizmente, eu não fui capaz de fazer isso. Eu tentei três vezes. Então, hoje eu anuncio que estou deixando a liderança do Partido Conservador e o governo na sexta-feira, 7 de junho. Então, um sucessor pode ser escolhido", disse May, referindo-se a sua tentativa e de fazer o Parlamento aprovar o acordo de saída da União Europeia (UE), em uma declaração em frente a sua residência oficial em Londres.

"Acredito que era correto perseverar, mesmo quando as possibilidades de fracassar pareciam elevadas, mas agora me parece claro que no interesse do país é melhor que um novo primeiro-ministro lidere este esforço", afirmou em discurso, visivelmente emocionada. Países europeus e a Comissão Europeia reagiram ao anúncio da premiê

May continuará no cargo para receber o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que realizará uma visita de Estado ao Reino Unido de 3 a 5 de junho. Ela também afirmou que continuará no cargo até o processo de escolha do primeiro-ministro termine.

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Seu mandato, cheio de adversidades, críticas e até mesmo conspiração dentro de seu próprio partido, entrará para a História como um dos mais curtos na Grã-Bretanha desde a 2ª Guerra. Antes de assumir o cargo, seu sucessor terá que ser eleito para o cargo de líder do Partido Conservador, e depois oficialmente nomeado chefe de Governo pela rainha Elizabeth II.

Boris Johnson é favorito para substituir Theresa May

O ex-ministro das Relações Exteriores Boris Johnson, líder dos partidários da saída do Reino Unido, os Brexiteers, está entre os favoritos para substituí-la. Ele afirmou que "com certeza" vai concorrer ao cargo.

Theresa May assumiu o Executivo em julho de 2016, pouco depois de 52% dos britânicos votarem a favor do Brexit no referendo de 23 de junho de 2016, sucedendo David Cameron. Mas esta filha de pastor de 62 anos, ex-ministra do Interior, considerada uma mulher "díficil", não conseguiu convencer uma classe política profundamente dividida sobre a saída da UE./ AFP e REUTERS

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