Henry Romero / Reuters
Henry Romero / Reuters

Governo Bolsonaro reconhece Jeanine Áñez como presidente interina da Bolívia

Em comunicado, Itamaraty 'congratula' a senadora por 'assumir constitucionalmente a Presidência' do país

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2019 | 04h31
Atualizado 13 de novembro de 2019 | 14h39

BRASÍLIA - O governo brasileiro reconheceu a senadora da oposição Jeanine Áñez como nova "presidente constitucional" da Bolívia. O governo já havia rechaçado a tese de que houve um golpe no país andino.

“O governo brasileiro congratula a senadora Jeanine Áñez por assumir constitucionalmente a Presidência da Bolívia e saúda sua determinação de trabalhar pela pacificação do país e pela pronta realização de eleições gerais. O Brasil deseja aprofundar a fraterna amizade com a Bolívia”, afirmou o Itamaraty, em nota divulgada na madrugada desta quarta-feira, dia 13.

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Em comunicado anterior, o Ministério das Relações Exteriores havia comunicado que a renúncia de Evo Morales “abriu caminho para preservação da ordem democrática”, e que o processo constitucional estava sendo “preservado na sua integralidade” na Bolívia.

Nas redes sociais, Jeanine agradeceu o reconhecimento do governo brasileiro.

O governo dos Estados Unidos também reconheceu Jeanine como presidente interina. "A presidente interina do Senado, Áñez, assumiu as responsabilidades de presidente interino da Bolívia", disse no Twitter o subsecretário de Estado para a América Latina, Michael Kozak.

Segunda vice-presidente do Senado e integrante da bancada de oposição, do partido Democratas, ela assumiu o poder em meio ao vácuo deixado pela renúncia do Evo Morales e de outros na linha sucessória, após pressão de militares e semanas de protestos da oposição provocados pela suspeita de fraude nas eleições de outubro. Evo havia sido declarado vencedor em uma contagem de votos contestada pela oposição e pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

Posse e primeiras ações

A senadora ingressou no palácio presidencial em La Paz com uma Bíblia nas mãos e prometeu convocar novas eleições gerais para 22 de janeiro. A posse dela se deu em uma sessão esvaziada, sem quórum no Parlamento, questionada pelo majoritário Movimento ao Socialismo (MAS), partido de Evo Morales.

Conforme fontes do Itamaraty, uma das primeiras ações de Jeanine foi se reunir com as Forças Armadas da Bolívia. Ela também determinou a reabertura da fronteira boliviana com o Brasil, que estava fechada por causa dos conflitos de rua no país andino, o que preocupava autoridades brasileiras.

Pela manhã, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foi convocado pelo presidente Jair Bolsonaro para tratar, em reunião de última hora, da situação na Bolívia e do incidente entre representantes diplomáticos de Juan Guaidó e Nicolás Maduro na Embaixada da Venezuela em Brasília, antes dos encontros com os presidentes Xi Jinping, da China, Vladimir Putin, da Rússia, Cyril Ramaphosa, da África do Sul, e o primeiro-ministro Narendra Modi, da Índia, por ocasião da 11.ª cúpula do Brics.

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