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Eleições nos EUA: quem são os pré-candidatos democratas à presidência

Às vésperas das primárias de Iowa, Bernie Sanders e Joe Biden lideram as pesquisas, e Elizabeth Warren e Amy Klobuchar correm por fora

João Ker e Murillo Ferrari, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2019 | 15h23

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Joe Biden e o senador Bernie Sanders estão liderando nas pesquisas de intenção de voto nas primárias do Partido Democrata dias antes do chamado caucus de Iowa, a primeira disputa no processo de escolha do candidato presidencial na próxima segunda-feira, mostrou uma pesquisa publicada nesta quarta-feira.

Biden foi a escolha de 23% dos prováveis eleitores do caucus, como mostra a pesquisa da Universidade Monmouth, e está pouco à frente do senador de Vermont, que tem 21%. A liderança de Biden está dentro da margem de erro da pesquisa, o que significa que os dois estão tecnicamente empatados.

Além de nomes experientes, como o ex-vice-presidente Joe Biden e o senador Bernie Sanders, ambos com mais de 70 anos, novos nomes e estrelas em ascensão no partido, como a senadora Kamala HarrisPete Buttigieg, prefeito de uma cidade no interior de Indiana, e Beto O'Rourke, ex-congressita pelo Texas, já anunciaram planos de enfrentar Donald Trump na disputa nacional para líderar os EUA.

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Conheça abaixo os pré-candidatos democratas que já oficializaram sua candidatura, organizados de acordo com média das intenções de voto elaborada pelo site RealClearPolitics:

Joe Biden

Vice-presidente nos dois governos de Barack Obama (2009-2017), o nome de Joe Biden já era esperado na corrida presidencial de 2020, após ele ter decidido ficar de fora da disputa em 2016 em razão da morte de um filho. Atualmente, Biden tem o maior percentual de intenção de votos entre os democratas, com 39%.

Senador por Delware de 1973 até 2009, quando renunciou para assumir a vice-presidência, Biden levanta bandeiras progressistas, como os direitos LGBTs, mas recentemente foi acusado de contato físico inapropriado por três mulheres. Aqui no Brasil, ele foi o pivô da carta que Michel Temer enviou a Dilma Rousseff, quando ainda era vice-presidente.

Bernie Sanders

Derrotado por Hillary Clinton nas primárias democratas de 2016, Bernie Sanders anunciou em fevereiro deste ano que pretende concorrer novamente a vaga de presidente dos EUA pelo partido em 2020.

Autodeclarado socialista, as principais causas defendidas por ele são valorização do salário mínimo, a distribuição de renda e riquezas e o acesso universal à saúde. Com 16% das intenções de voto até o momento, já enfrenta o primeiro obstáculo de sua campanha: sua mulher, Jane O’Meara Sanders, é investigada por suspeita de fraude.

Elizabeth Warren

Senadora por Massachusetts desde 2013, Elizabeth Warren é advogada e foi professora de direito em Harvard, onde ajudou a criar um escritório de proteção financeira aos consumidores e escreveu livros sobre a renda da classe média. Ao lançar sua pré-campanha - que tem como base o combate às desigualdade, um tema ao qual ela se dedica desde antes de entrar para a política -, afirmou que "milhões de famílias mal conseguem respirar" nos EUA em razão do estrangulamento da classe média.

Entre suas principais proposta está a criação de um imposto de 2,5% para pessoas com fortuna superior a US$ 50 milhões e de 3% para quem tiver acumulado mais de US$ 1 bilhão - com objetivo de arrecadar até US$ 2,75 trilhões em uma década. Na campanha presidencial de 2016 ela apoiou Hillary Clinton e entrou em atrito com Trump, que referiu-se a ela como “Pocahontas” após Warren reivindicar ascendência indígena. Tem atualmente cerca de 8% das intenções de voto.

Amy Klobuchar

Senadora pelo Estado de Minnessota, Amy Klobuchar foi eleita com 60% dos votos e ganhou mais atenção da mídia depois de participar do avaliação de Brett Kavanaugh, indicado por Donald Trump à Suprema Corte americana - e que foi acusado de assédio sexual. Sua participação no episódio rendeu-lhe elogios de democratas e republicanos, além de ser coroada pela mídia americana como "a antítese completa de Trump".

"Estamos cansados. Nossa nação não deve estar governada não pelo caos, mas pela oportunidade", afirmou a senadora, durante o discurso que lançou oficialmente sua campanha para as eleições de 2020. Atualmente, Amy tem pouco mais de 1% da preferência do eleitor americano.

Pete Buttigieg

Prefeito de South Bend, cidade no interior do Estado de Indiana, Pete Buttigieg é um dos democratas mais peculiares da corrida eleitoral de 2020. Além de figurar entre os mais jovens, com apenas 37 anos, ele é um veterano da guerra do Afeganistão e o primeiro candidato abertamente homossexual a pleitear o mais alto cargo da administração americana - é favorito de 6,8% dos eleitores.

Em discurso durante o lançamento oficial de sua candidatura, Buttigieg reconheceu os desafios a serem enfrentados: “As forças de mudança em nosso país hoje são tectônicas. Forças que ajudam a explicar o que tornou a presidência atual possível. É por isso que, desta vez, não se trata apenas de ganhar uma eleição, e sim de ganhar uma era”.

Beto O’Rourke

Ex-deputado pelo Texas, Estado tradicionalmente republicano - e onde quase derrotou Ted Cruz para a vaga de senador na eleição de meio de mandato, em novembro -, Beto O'Rourke aparece com pouco mais de 4% das intenções de voto. No ano passado, quando quebrou recordes de arrecadação para sua campanha ao Senado, Beto foi comparado ao ex-presidente Obama por seu estilo de discurso e pela empatia despertada nos eleitores.

O’Rourke é jovem e carismático, uma commodity valiosa em um partido que busca se renovar, e como contou o colunista do Estado, Helio Gurovitz, tocou baixo numa banda punk na juventude e é fluente em espanhol. Ao oficializar sua pré-candidatura, em março, ele afirmou que para viver "à altura da promessa dos Estados Unidos é (preciso) dar tudo de si e fazer isto por todos".

Tulsi Gabbard

Primeira congressista dos EUA de religião hindu, a deputada havaiana Tulsi Gabbard, de 37 anos, causou controvérsias no país ao se encontrar com o ditador da Síria, Bashar Assad, e se posicionar ao lado da Rússia - e contra os EUA - quando Obama decidiu intervir na guerra síria. Antes de ser política, foi enviada ao Iraque como membro da Guarda Nacional dos EUA e, desde então, defende uma política externa não intervencionista, apesar de ser a favor do combate ao "islã radical".

Ao lançar sua pré-candidatura, disse que seu objetivo é "lutar pela alma" dos Estados Unidos. Tulsi também afirma que o ponto central de sua pré-campanha é a questão das "guerras e da paz". Em 2016, apoiou Bernie Sanders nas primárias democratas.

Andrew Yang

Candidato que promete agradar os empreendedores, Andrew Yang, de 44 anos, é um empresário de Nova York que tem defendido uma redistribuição de renda nos EUA, chamada por ele de ‘Dividendo da Liberdade’. A tese gira em torno da teoria de que os robôs e a automação de serviços irão gerar uma grande taxa de desemprego no mundo e, por isso, os americanos precisam se precaver.

Com o ‘Dividendo da Liberdade’, Yang quer manter uma renda básica universal de U$ 1 mil para todos os americanos, através de cheques doados pelo próprio governo como assistência social. A medida é similar a outra apresentada por Martin Luther King Jr. e já despertou o interesse de grandes nomes do Vale do Silício, como Mark Zuckerberg, Elon Musk e Marc Andreessen.

John Delaney

Ex-deputado por Maryland, John Delaney, de 56 anos, foi o primeiro democrata a anunciar que disputaria a indicação do partido, em julho de 2017. Desde então, ele visitou todos os condados de Iowa, por onde começam as primárias, para tentar emplacar seu nome na corrida presidencial.

Pouco conhecido pelo público em geral, Delaney foi deputado por quatro mandatos e se apresenta como um candidato centrista focado em resolver problemas. Sua principal proposta econômica é criar uma coalizão internacional pública e privada contra o roubo de propriedade intelectual da China.

Michael Bennet

O senador americano Michael Bennet, de 54 anos, democrata do Colorado, anunciou sua pré-candidatura à Casa Branca poucas semanas depois de se recuperar de uma cirurgia por um câncer de próstata. Seus discursos no Senado atraíram atenção nacional, especialmente um amplamente visto, no qual ridicularizava as "lágrimas de crocodilo" do senador republicano Ted Cruz no fechamento parcial do governo, em janeiro deste ano.

Bennet destaca sua reputação de bipartidarista em um Estado com uma grande presença de eleitores independentes. Defende a ampliação do Medicare, o sistema de seguros de saúde gerido pelo governo. / COM NYT e WASHINGTON POST

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