EFE/Andy Ale
EFE/Andy Ale

Entenda os cinco anos turbulentos na Venezuela de Maduro

País tem convivido com protestos violentos, choque de poderes, colapso econômico, diálogos fracassados, entre outros problemas

O Estado de S.Paulo

21 Maio 2018 | 11h57

CARACAS - Protestos violentos, choque de poderes, colapso econômico, diálogos fracassados. A Venezuela tem vivido anos de turbulência sob a presidência de Nicolás Maduro, que foi reeleito no domingo em um pleito contestado pelo opositor e cujo resultado não é reconhecido por parte da comunidade internacional.

+ Brasil e mais 13 países não reconhecem resultado das eleições na Venezuela

+ Na Venezuela, valor de um sorvete paga 1.200 tanques de combustível

Veja abaixo os principais momentos deste período em que o país vem sofrendo uma de suas piores crises.

+ ‘Novos protestos na Venezuela são muito improváveis’

+ Alta abstenção e denúncias opositoras colocam em xeque eleição venezuelana

2013: Herdeiro

O líder socialista Hugo Chávez, presidente desde 1999 e fundador da “Revolução Bolivariana”, morre de câncer no dia 5 de março de 2013.

Maduro, apontado por Chávez como seu substituto, vence as eleições presidenciais de 14 de abril com 50,62% de votos, apenas 1,5 pontos percentuais acima do opositor Henrique Capriles, que contestou, sem sucesso, a votação.

2014: Primeiro desafio

Em 2014, a oposição, liderada por Leopoldo López, realiza manifestações para exigir a saída de Maduro, que termina com 43 mortos. López é preso em fevereiro e condenado em 2015 a quase 14 anos de prisão, acusado de incitar a violência nos protestos. Em agosto de 2017, foi colocado a em prisão domiciliar.

Os preços do petróleo, responsável por 96% das divisas do país, caíram para menos da metade, agravando a escassez de alimentos e remédios.

2015: Derrota

Em fevereiro de 2015, o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, acusado de conspirar contra o governo, é preso. Pouco depois, vai para prisão domiciliar e em 2017 foge para a Espanha.

Em março, Washington impõe as primeiras sanções contra autoridades venezuelanas acusadas de violar os direitos humanos. Em dezembro, em meio ao agravamento da crise, a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) derrota o chavismo, conquistando a maioria qualificada do Parlamento.

2016: Choque de poderes

Assim que a oposição toma posse em janeiro, o Legislativo é declarado em desacato e suas decisões são anuladas pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).

Durante a maior parte de 2016, a oposição tentou revogar o mandato de Maduro - de seis anos - por meio de um referendo, e organizou manifestações para exigi-lo.

Contudo, o poder eleitoral e a Justiça - acusado pela oposição de trabalhar a favor de Maduro - frearam o movimento, alegando fraude na coleta de assinaturas.

2017: Protestos e Constituinte

O TSJ atribui para si os poderes do Parlamento e no dia 1.º de abril são realizados protestos que deixam cerca de 120 mortos em quatro meses. A procuradora-geral, Luisa Ortega Díaz, denuncia uma ruptura da ordem constitucional e, meses depois, deixa o país denunciando “perseguição”.

No dia 30 de julho é realizada a eleição de uma Assembleia Constituinte com poder absoluto e totalmente oficialista, substituindo o Parlamento na prática e não reconhecida por vários governos.

Os EUA aprovam sanções econômicas contra a Venezuela e a petrolífera estatal PDVSA, declarados mais tarde em default parcial. O chavismo vence as eleições para governadores de outubro e as municipais de dezembro. Oposição denuncia fraude.

2018: Eleições antecipadas

Diante de uma oposição dividida, a Assembleia Constituinte decide em janeiro adiantar as eleições presidenciais e Maduro é proclamado candidato do partido no poder.

Um diálogo entre oposição e governo sobre garantias eleitorais e o poder eleitoral marca as eleições para o dia 22 de abril, data que pouco depois mudou para 20 de maio.

A MUD decide boicotar a votação, argumentando se tratar de uma "fraude" para perpetuar Maduro no poder e dar-lhe "aparência de legitimidade". O opositor Henri Falcón, dissidente do chavismo, deixa a coalizão de oposição e lança sua candidatura.

Os EUA, vários países da América Latina e da União Europeia, advertem que não reconhecerão as eleições porque não serão livres ou justas. Maduro é reeleito com 67,7% dos votos, contra 21,2% de Falcón, na votação que registrou o maior índice de abstenção (52%) na história democrática da Venezuela. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.